Contratações de fim de ano são alento para desempregados, mas não impulsionam mercado de trabalho

  • Por Jovem Pan
  • 30/11/2019 10h06
ITACI BATISTA/Estadão ConteúdoEmpregos no final do ano ajudam , mas não impulsionam o mercado de trabalho

Os empregos temporários neste final de ano devem ajudar os brasileiros que estavam desempregados, mas não serão suficientes para uma recuperação do mercado de trabalho.

A perspectiva de abertura de vagas em dezembro pode ser uma saída para os mais de 12 milhões de brasileiros sem emprego. De acordo com a PNAD Contínua divulgada pelo IBGE nesta sexta-feira (29), o número representa 11,6% da população.

A coordenadora de graduação de economia do Insper, Juliana Inhasz, afirma que, embora essa ajuda seja bem-vinda para a população, a economia brasileira precisa de um dinamismo maior.

“Eles ajudam porque é obvio, nossa economia precisa crescer, precisa de uma maior dinamismo, precisa ter reações e qualquer tipo de ajuda é uma ajuda bem vinda”, disse.

A pesquisa do IBGE divulgada nesta sexta mostrou ainda que o emprego informal continua sendo um desafio para o país. Isso porque a categoria de empregados sem carteira de trabalho assinada bateu um novo recorde, com alta de 2,4%. A analista da pesquisa, Adriana Beringuy, chama a atenção para a qualidade dessas ocupações.

“Ainda que a gente tenha esse crescimento, ele se baseia em postos e ocupações de baixo rendimento, mas por outro lado, dá oportunidade para pessoas de baixa escolaridade”, argumenta.

O professor de economia da USP Helio Zylberstajn tem uma visão otimista dos resultados mostrados no levantamento.

“A primeira boa notícia é a criação evidente e grande de novos postos de trabalho. Foram 470 mil novos postos nos últimos três meses, pra gente ter uma ideia do que isso significa, se repetirmos isso durante um ano, teríamos 2 bilhões de empregos novos em um ano, que é um sinal positivo”, afirma.

Embora a taxa de desemprego tenha caído, a população desalentada, ou seja, que desistiu de procurar por trabalho, ficou estável na comparação com os três meses anteriores. Ao todo, 4,6 milhões pessoas compõem esse grupo.

*Com reportagem de Nicole Fusco