Além do pulmão, Covid-19 pode trazer sequelas ao coração, rins e cérebro

  • Por Jovem Pan
  • 29/06/2020 06h16 - Atualizado em 29/06/2020 08h33
SANDRO PEREIRA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDOAlém da dificuldade de raciocínio e memória prejudicada, podem ocorrer alterações de humor, perda de apetite e sintomas de ansiedade, depressão e estresse pós-traumático

Nem sempre receber a notícia de cura significa que o paciente se recuperou completamente de todas as complicações causadas pela Covid-19. Para uma parcela de infectados, em especial os casos mais graves que exigem internação em unidades de terapia intensiva (UTI), há riscos de comprometimento dos pulmões, rins, coração e até do cérebro. O pulmão, principal alvo da doença, tende a demorar mais para se recuperar.

Segundo o médico do hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, José Rodrigues, depois que o vírus vai embora, a inflamação pode continuar comprometendo o funcionamento do órgão. O pneumologista afirma que as sequelas podem permanecer por semanas ou até meses.

Na maioria dos casos, os sintomas podem ser um cansaço leve, uma redução da resistência na prática de atividades físicas ou alterações em exames. Quanto aos rins, muitas pessoas que vão para a UTI sofrem com insuficiência renal e precisam de hemodiálise durante a internação. Geralmente, são pelo menos três meses para a recuperação completa. Segundo nefrologista e professor da Escola de Medicina da PUC do Paraná, Rafael Weissheimer, cerca de 10% dos pacientes que contraem o coronavírus apresentam algum dano renal.

Seja pela inflamação exacerbada ou por um ataque direto do vírus, o peito também pode sofrer no longo prazo. Para o cardiologista Leandro Rubio, o acompanhamento de pacientes que se recuperaram de um quadro grave deve continuar mesmo após a alta médica.

Outra sequela já conhecida de infecções que geram longas internações são os danos neurológicos. Além da dificuldade de raciocínio e memória prejudicada, podem ocorrer alterações de humor, perda de apetite e sintomas de ansiedade, depressão e estresse pós-traumático.

*Com informações da repórter Letícia Santini