Coronavírus atua como ‘tempestade inflamatória’, explica infectologista

  • Por Jovem Pan
  • 11/04/2020 09h31
EFE/EPA/ROBERT GHEMENTO infectologista defendeu a população, principalmente que possuem doenças cardíacas, mude "a etiqueta" em ambientes de aglomeração

O envelhecimento do sistema imunológico dificulta a capacidade de idosos, principalmente aos que possuem problemas cardiovasculares, de enfrentarem infecções respiratórias como o novo coronavírus. Em 2020, 109 mil pessoas já morreram de doenças cardiovasculares, segundo o cardiômetro.

Em entrevista ao Jornal da Manhã deste sábado (11), o professor de infectologia da Escola de Medicina da Santa Casa de Vitória, Lauro Ferreira, explicou como acontece o avanço da idade interfere no organismo.

“Nosso sistema de imunidade envelhece, ele é um pouco parecido com a deficiência imune. Há medida que passamos dos 60 ou 70 anos temos dificuldade de enfrentar infecções. Uma pessoa coronariana tem seis vezes mais chance de ter um infarto na semana da infecção.”

Segundo Lauro Ferreira, que também é integrante da Sociedade Brasileira de Infectologia, “o coronavírus atua como “uma tempestade inflamatória” nos pacientes.

Ele destacou que cidades como Milão, Nova York e a região da Lombardia são exemplos de locais onde tiveram muitos casos de problemas cardiovasculares em decorrência da doença. No Brasil, cerca de 61% dos óbitos pelo coronavírus aconteceu em pacientes que também sofriam com problemas cardíacos.

O infectologista defendeu ainda que, com um futuro fim das medidas de isolamento, é necessário que toda a população, principalmente que possuem doenças cardíacas, mude “a etiqueta” em ambientes de aglomeração.

“A maioria da população está suscetível. Tem que voltar com uma nova situação de etiqueta, tem que manter o uso de máscara caeira se a pessoa ficar aglomerada, ter cuidado nos transportes, para evitar até mesmo lockdown, que é quando o sistema de saúde fica saturada mesmo.”

Cloroquina

A respeito do uso da cloroquina para combater os efeitos do coronavírus, o médico ressaltou alguns estudos que contradizem os efeitos do medicamento.

“O problema da cloroquina é que ela tem ensaios contraditórios. É possível que a cloroquina funcione, mas faltam dados robustos. Acredito que nas próximas semana teremos uma resposta se ela funciona. Mas vamos reservar agora para os doentes hospitalizados.”