CPI da Covid-19 ouve o empresário Carlos Wizard nesta quarta-feira

Depoente retornou ao Brasil na última segunda-feira e teve o passaporte retido pela Polícia Federal após pedido da comissão; ele é suspeito de ter articulado o gabinete paralelo da Saúde

  • Por Jovem Pan
  • 30/06/2021 07h45 - Atualizado em 30/06/2021 08h46
Fabiano Accorsi/Divulgação O empresário Carlos Wizard Carlos Wizard retornou ao Brasil na última segunda-feira e teve o passaporte retido pela Polícia Federal após pedido da comissão

Após idas e vindas, a CPI da Covid-19 ouve nesta quarta-feira, 30, o empresário Carlos Wizard. Ele retornou ao Brasil na última segunda-feira e teve o passaporte retido pela Polícia Federal após pedido da comissão. Wizard é suspeito de ter articulado o chamado gabinete paralelo da Saúde, que aconselharia o presidente Jair Bolsonaro com medidas contrárias às recomendações científicas. Ele prestaria depoimento à CPI no dia 17, mas estava nos Estados Unidos para acompanhar tratamento médico de um familiar. A ala governista do colegiado é contrária à ida do empresário, como explica o senador Marcos Rogério (DEM). “A CPI, para evitar constrangimento, deveria desconvocar esse empresário. É uma perda de tempo a CPI ficar convocando empresários que estão buscando contribuir com o Brasil. É um empresário que tem uma história e que tem, ao longo dos anos, buscado contribuir com o país de maneira voluntária.”

Na sessão plenária desta terça-feira, o vice-presidente da comissão, senador Randolfe Rodrigues (Rede), apresentou o requerimento de prorrogação da CPI por mais 90 dias. O prazo inicial é que o colegiado dure até o dia 7 de agosto. A decisão fica por conta do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que disse que vai aguardar para fazer o anúncio. “A presidência considera que esta análise deve ser feita ao final do prazo de 90 dias da Comissão Parlamentar de Inquérito e por certo será feita nessa ocasião analisando as condições objetivas e subjetivas para tanto”, afirmou. A denúncia de irregularidades no esquema de compra da vacina Covaxin, nos últimos dias, impulsionou a solicitação para estender a comissão. Senadores da oposição e os chamados independentes pretendem ouvir membros do Ministério da Saúde e da Precisa Medicamentos, empresa brasileira que intermediou as negociações. O deputado Ricardo Barros, citado por Luís Miranda no depoimento prestado ao colegiado, também deve ser convocado.

Durante a reunião desta terça, o líder do governo no Senado Federal, Fernando Bezerra Coelho (MDB), rebateu as acusações de que Bolsonaro teria prevaricado ao ouvir a denúncia feita pelos irmãos Miranda. E que ele teria comunicado o problema a Eduardo Pazuello. “Diante do encontro relatado pelo deputado federal Luís Miranda, o presidente entrou em contato com o então ministro da Saúde no dia 22 de março de 2021, segunda-feira, a fim de solicitar a uma apuração preliminar afim dos fatos de contrato de compra da vacina Covaxin. No regular exercício do poder de administração pública, ato contínuo após a ordem o presidente da República, o ministro determinou que o secretário executivo, Élcio Franco, realizasse uma averiguação prévia dos indícios de irregularidades e ilicitudes apontados”, disse.

Depois, a CPI começou a ouvir o deputado estadual pelo Amazonas Fausto Vieira. O parlamentar do MDB foi o relator da Comissão da Assembleia que investigou superfaturamentos em compras de respiradores. O colegiado foi encerrado em setembro, portanto antes da crise pela falta de oxigênio em Manaus, que se deu em janeiro. No Amazonas, como detalhou Fausto Vieira, a CPI não foi prorrogada e os parlamentares tiveram dificuldades de acesso a documentos. Ele reitera que a situação da saúde no Estado já estava à beira de um colapso. “Uma vez que nós tínhamos profissionais da Saúde com meses de salários atrasados, desabastecimento das unidades no que se refere a insumos básicos e materiais de saúde, sem falar da falta de oferta de leitos. Nós já tínhamos um sistema à beira de um colapso, como é que nós iríamos receber a pandemia na intensidade que todo o Brasil e o mundo viu no nosso Estado? Então era uma tragédia que estava anunciada”, afirmou.

Em 2020, a área da saúde do Amazonas tinha disponíveis R$ 2,6 bilhões, sendo R$ 1 bilhão em recursos federais. O deputado Fausto Vieira acrescenta que a secretaria de saúde do Amazonas adotava práticas temerárias de fiscalização. E acusa o governo estadual de negligência. “É  importante frisar nessa situação que havia uma negação da urgência dos casos da pandemia naquele momento e o povo foi pego de surpresa, isso que motivou a irritação das pessoas. Nosso relatório serviu como base para três operações da Polícia Federal que chegaram a encontrar casos que conectavam o governador do Estado”, ressaltou. O deputado Fausto Vieira lembrou que a CPI estadual tinha o foco de investigar o caos na saúde entre 2011 e 2020. Para ele, todos os governadores amazonenses do período mereciam ser indiciados. A crise na saúde levou o atual governador do Amazonas, Wilson Lima, a ser investigado e denunciado.

O clima ficou tenso quando o presidente da Comissão, Omar Aziz, insistiu em saber porque a CPI local não sugeriu o indiciamento do atual governador, Wilson Lima. “O povo do Amazonas está escutando, queria saber por que o deputado, relator, por que Vossa Excelência, Renan Calheiros, não ouse indiciar aqueles que são responsáveis pelas mortes no Brasil. Não ouse fazer isso com essa CPI, não vá fazer que nem o relator no Amazonas. Por que que Vossa Excelência não indiciou o governador na CPI da Saúde?”, questionou. Fausto Vieira argumentou que os últimos governadores do Amazonas, incluindo Omar Aziz, que governou o estado entre 2011 e 2014, pagaram verbas indenizatórias na saúde. O deputado deu a entender que se pedisse o indiciamento de Wilson Lima deveria ter solicitado o do próprio senador. As declarações de Fausto Vieira provocaram risos de senadores governistas e irritaram Omar Aziz. O senador declarou que os gastos da gestão dele foram aprovados pelo Tribunal de Contas do Estado do Amazonas. Ele também acusou o depoente de usar de má fé ao citar números aleatórios de pagamentos de indenizações e sugerir que houve corrupção.

*Com informações do repórter Levy Guimarães