‘CPI está perdida’, diz senador Marcos do Val após depoimento de Luis Miranda

Em entrevista ao Jornal da Manhã, parlamentar fez duras críticas à oitiva do deputado e acusou a comissão de estar sendo ‘parcial’ e ‘passional’

  • Por Jovem Pan
  • 26/06/2021 09h34 - Atualizado em 26/06/2021 15h11
Waldemir Barreto/Agência SenadoO senador Marcos do Val e o deputado Luis Miranda se desentenderam durante intervalo da sessão

O senador Marcos do Val (Podemos-ES), suplente da CPI da Covid-19, criticou a postura dos colegas após o depoimento do deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) e de seu irmão, Luis Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde, à comissão na sexta-feira, 26. Para ele, a revelação que de Ricardo Barros (PP), líder do governo na Câmara, seria o parlamentar citado pelo presidente Jair Bolsonaro como envolvido em supostas irregularidades na compra da vacina Covaxin, deve ser ser analisada com cautela em virtude do “histórico” do depoente. Durante a oitiva, o senador Marcos do Val tentou mostrar um vídeo, de reportagem do programa Fantástico, da TV Globo, com denúncias contra o deputado Luis Miranda, mas a exibição foi suspensa pelo senador Humberto Costa (PT-PE), que presidia momentaneamente a sessão. “Uma coisa é uma pessoa idónea, com histórico e um passado muito equilibrado e ponderado chegar até você e te fazer uma denuncia, você, com certeza, escuta de uma forma totalmente diferente de alguém que é investigado, processado por vários crimes”, disse do Val, em entrevista ao Jornal da Manhã deste sábado, 26. No intervalo da sessão, o senador e o deputado Luis Miranda se desentenderam.

“Ele começou a dar um depoimento de uma forma muito agressiva, prepotente, se colocando na posição de presidir a CPI. Por muitas vezes, os senadores pediram para parar, separaram ele do irmão, porque um estava passando informação para o outro. Os senadores chegaram a sugerir fazer uma oitiva em datas separadas. Ele estava tumultuando muito”, afirmou o senador. “No intervalo, em consequência do tumulto, ele soube, porque levou alguns assessores que ficaram próximos aos senadores, e chegou até mim e falou: ‘Você vai ter coragem mesmo de mostrar o vídeo?’. Ele chegou dessa forma intimidadora e eu respondi: ‘Deputado, eu vou sim. Eu vou contextualizar e apresentar quem é você’. Nisso, ele se aproximou e falou: ‘Não é você, senadorzinho, que vai fazer isso’. Quando ele falou isso, eu me senti no direito, como senador da República, e fiz, realmente, um movimento de ombro levando ele para frente e dizendo: ‘Você está no Senado Federal e falando com um senador, tenha respeito'”, detalhou do Val sobre o incidente. “Chegaram outros senadores, mas eu estava muito tranquilo, com a mão no bolso. Jamais ia fazer qualquer movimento de agressão, porque eu estou na minha Casa, eu tenho que dar exemplo. Mas eu quis colocar ele no lugar dele. É um cara que a gente tem que dar limites, senão ele avança”, completou.

O senador aproveitou a entrevista para criticar a condução da CPI da Covid-19. “A CPI está perdida o tempo inteiro. Cada hora é uma nova fase. É da hidroxicloroquina, é da vacinação da Pfizer, depois é da Copa América… cada hora é uma coisa. A oposição está sempre buscando uma forma de desgastar o governo”, criticou. Segundo ele, o depoimento dos irmãos Miranda foi uma prova da parcialidade da comissão. “É notório para todos essa parcialidade. Tanto que ontem eles fizeram um ato falho, dizendo que tínhamos que proteger os depoentes, algo como: “Eles têm que ser nossos protegidos”, enquanto outros depoentes que vão com um pensamento contrário são massacrados”, apontou. “Eles estão se empoderando como se tivessem fazendo tanto a função do Ministério Público quanto a função do Judiciário, investigando e decidido. Isso é muito perigoso e se tornar frequente, é um risco à democracia.”

Em seguida, o senador comentou sobre a postura da oposição. “O G7 [bloco dos sete senadores independentes e de oposição], a gente está chamando eles de ‘gabinete paralelo’, porque eles se reúnem e tomam as decisões sem o consentimento de todos que participam da CPI. O que eu tenho cobrado também é estarmos [base governista e independente] reunidos e entendendo quais decisões eles vão tomar e o que nós podemos fazer para frear e exigir que se siga corretamente as regras da CPI”, contou. “Está muito parcial e passional. Está gritante isso.” Marcos do Val ainda acrescentou que acredita que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) errou ao ter deixado que as questões relacionadas à compra da Covaxin durassem tanto tempo. “Eu fui chamado para uma reunião e presidente está muito tranquilo, as vezes eu acho até demais, sabendo que o governo dele não é um governo corrupto, mas acho que ele poderia ter tido um momento logo, não ter deixado essa linha do tempo se esticar”, afirmou. Mas, para, ele, como não houve a transferência de recursos para compra das doses da Covaxin, a corrupção não aconteceu como estão falando.