‘Qualquer imposto na linha do CPMF é um lixo’, afirma ex-presidente do Banco Central

  • Por Jovem Pan
  • 01/08/2019 10h22
Estadão ConteúdoArmínio Fraga defende a importância da reforma tributária sem a volta do CPMF

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central diminuiu em 0,5 ponto percentual a taxa básica de juros na economia brasileira. A redução de 6,5% para 6% ao ano na Selic é o menor patamar registrado na história.

Para falar da manutenção da taxa, da reforma tributária e dos possíveis impactos da política de juros no Brasil, o Jornal da Manhã falou com o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga Neto.

Apesar de já esperada, a redução da taxa Selic espelha uma economia que ainda não está em seu melhor momento. “A inflação está abaixo da meta, a economia está em um desempenho alto. Mas o corte de juros que é bom vem quando a economia está mais produtiva, porque isso joga os preços pra baixo”, afirma Fraga.

“Esses cortes em momento de recessão são bons, mas o quadro geral ainda inspira cuidados. Pro Brasil voltar a crescer, muita coisa ainda tem que mudar.”

Reforma tributária

Considerada urgente e a ‘próxima da fila’ após aprovação da reforma da Previdência, diversas propostas para uma reforma tributária estão em discussão. Um dos pontos mais polêmicos é a volta do CPMF ou a criação de algum imposto parecido.

“Qualquer coisa na linha do CPMF eu considero um erro gravíssimo. Esse imposto, na minha opinião, padece de todos os defeitos possíveis. É um lixo”, afirma o ex-presidente do BC. “Isso afeta as escolhas que as pessoas fazem, as opções de produção. Além de afetar as exportações e investimentos de forma perversa.”

Armínio Fraga considera que “fazer negócio no Brasil é muito difícil” e defende que o país precisa, primeiro, integrar a si próprio antes de pensar em se integrar com o mundo. “O Brasil hoje tem um sistema que é quase um manicômio. Cada estado tem seu regulamento do ICMS. A reforma é um tema complexo porque envolve disputa entre estados, mas é urgente.”

Crescimento da economia

Para Fraga, o crescimento da economia a longo prazo depende de coisas naturais, como por exemplo a melhora nos setores da Educação, Saúde e Infraestrutura. “São processos que, por natureza, são lentos e o país precisa ser consistente e investir. Há um clima ainda de muita incerteza, o investimento no Brasil está fraco. E sem investimento não há crescimento.”