Curados da Covid-19, pacientes lutam contra sequelas da doença

Entre as principais consequências da infecção estão sintomas como alteração de memória, fadiga, dor de cabeça e mudança no paladar

  • Por Jovem Pan
  • 16/10/2020 07h01 - Atualizado em 16/10/2020 09h23
EFE/EPA/MURTAJA LATEEFO empresário Felipe Zillo, de 36 anos, conta que apresenta sequelas da Covid-19 mesmo tendo apresentado sintomas leves da doença

Das muitas formas que a Covid-19 pode se apresentar, a empresária Cláudia Kojima conheceu a pior de todas. Dos 65 dias que ficou internada, 48 foram em uma unidade de terapia intensiva (UTI), em coma induzido. E o que começou com o que parecia ser um resfriado, atingiu o o cérebro resultando em um AVC, três arritmias, a paralisia do corpo e 15 a menos na balança. “Eu não conseguia entender por que uma doença respiratória tinha causado toda ramificação, hoje eu tenho ido cardiologista, fisiatra, neurologista. A Covid-19 deixa sequelas pelo corpo inteiro.”

Hoje, curada, ela faz reabilitação na Santa casa de São Paulo três vezes por semana e busca apoio na família. Casos como da empresária, no entanto, não difíceis de encontrar. O também empresário Felipe Zillo, de 36 anos, conta que apresenta sequelas da Covid-19 mesmo tendo apresentado sintomas leves da doença. Já recuperado, ele afirma que sua respiração nunca mais foi a mesma. “Hoje eu voltei a prática de esportes, mas eu sinto que volta é muito devagar. Não tem como forçar, o pulmão necessita de uma carga a mas, ele não responde do mesmo jeito, eu não tenho o mesmo fôlego que eu tinha antes.”

Para tentar entender as alterações que o vírus pode deixar no corpo humano, pesquisadores da Unicamp, a Universidade Estadual de Campinas, vão mapear pessoas que desenvolveram quadros leves da doença pelos próximos três anos. Baseado em resultados preliminares no estudos, com dados de 200 dos mis de mil voluntários, o que se sabe é que, em 75% dos casos, os sintomas persistiram após dois meses do resultado positivo para a doença. Entre as principais queixas estão fadiga (40%), dor de cabeça (20%), alteração na memória (20%) e no paladar (15%).

Clarissa Yasuda, médica neurologista e coordenadora da pesquisa, explica que os resultados são importantes para entender os efeitos colaterais a médio e longo prazo. “A gente tá acompanhando essa série de pessoas porque não sabemos se essas pessoas possam vir a apresentar outro sintomas neurológicos, como convulsão e alteração motora”, explica. Ela ressalta que os resultados iniciais surpreenderam a equipe e reforça que é preciso fazer um levantamento aprofundado se o vírus é capaz de desencadear síndromes e doenças autoimunes.

*Com informações da repórter Hanna Beltrão