Segundo porta-voz, Bolsonaro acompanha vazamento com ‘a serenidade de um chefe do Executivo’

  • Por Jovem Pan
  • 13/06/2019 08h36
HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO CONTEÚDONovos trechos de conversas entre Moro e Dallagnol foram divulgados na quarta-feira (12)

A Polícia Federal instaurou quatro inquéritos para apurar o vazamento de mensagens de procuradores da Lava Jato e do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. Os investigadores estão colhendo informações sobre quem seria o autor do ataque e qual o método utilizado pelo hacker.

A PF e o Ministério Público Federal suspeitam que a invasão aos celulares foi uma ação orquestrada, mais ampla do que se imaginava inicialmente. Além dos procuradores de Curitiba e do ex-juiz Sérgio Moro, os hackers tiveram acesso às conversas de integrantes das forças tarefas do Rio de Janeiro e do Distrito Federal.

Ao menos 16 autoridades foram vítimas dos ataques cibernéticos, entre elas a juíza Gabriela Hardt, que assumiu provisoriamente os processos do ex-juiz Sergio Moro. O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot e o desembargador Abel Gomes, relator na segunda instância da Lava Jato no Rio de Janeiro, também tiveram os celulares invadidos.

Após a repercussão dos vazamentos, a Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara aprovou um convite para Moro prestar esclarecimentos no dia 26 de junho. Mas, como não se trata de uma convocação, o ex-juiz da Lava Jato não é obrigado a comparecer.

Nesta quarta-feira (12), o caso dos vazamentos continuou repercutindo no Congresso. A deputada Bia Kicis (PSL-DF), criticou a divulgação das mensagens, dizendo que há uma “euforia de corruptos no vazamento de conversas entre Moro e Dallagnol”.

Já a deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR), criticou o ministro Sergio Moro e o coordenador da força-tarefa da Lava Jato no Paraná, Deltan Dallagnol, dizendo que ambos “prejudicaram pessoas e instituições para ter vantagens próprias”.

Sobre os vazamentos, o porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros, afirmou que o presidente Jair Bolsonaro acompanha os desdobramentos com serenidade. “O presidente acompanha com a serenidade que deve ser natural de um chefe de Poder, em especial do chefe do Poder Executivo, a quem o ministro é subordinado e a quem o ministro deve apresentar as demandas do ministério e, neste caso, as que o afetam pessoal ou institucionalmente”.

Mais cedo, o procurador José Robalinho Cavalcanti, afirmou ter trocado mensagens pelo aplicativo Telegram com uma pessoa que dizia ser o hacker que tem atacado as autoridades. Na conversa, o invasor afirmou ser “um funcionário de Tecnologia da Informação”, não ter “ideologias” ou ligação com partidos.

O criminoso disse que o vazamento de domingo seria apenas “uma amostra” do que vai ocorrer na semana que vem.

Novos trechos divulgados

Ainda nesta quarta-feira (12) o site The Intercept Brasil divulgou um outro trecho de suposta conversa entre Moro e Dallagnol no dia 22 de abril de 2016.

Na troca de mensagens, Dallagnol afirmou: “Caros, conversei com o Fux mais uma vez, hoje. Reservado, é claro: O Min Fux disse quase espontaneamente que Teori [Zavascki] fez queda de braço com Moro e viu que se queimou, e que o tom da resposta do Moro depois foi ótimo.”

Em seguida o procurador teria dito: Fux “disse para contarmos com ele para o que precisarmos, mais uma vez. Falei da importância de nos protegermos como instituições. Em especial no novo governo”.

No final da suposta conversa, Moro diz em inglês: “‘in Fux we trust”, o que significa “no Fux nós confiamos”.

O ministro Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol não se manifestaram sobre o trecho que foi divulgado.

*Com informações do repórter Afonso Marangoni