Delator diz ter pagado propina a dirigentes da CBF; empresas de mídia também são citadas

  • Por Jovem Pan
  • 15/11/2017 07h17 - Atualizado em 15/11/2017 09h44
ReproduçãoBurzaco falou por mais de três horas e confessou que cometeu os crimes de lavagem de dinheiro, fraude e conspiração. Segundo ele, as propinas eram pagas aos dirigentes em troca de apoio nas negociações de contratos

O ex-executivo da empresa Torneos y Competencias, o argentino Alejandro Burzaco, disse em depoimento no Tribunal Federal do Brooklyn, em Nova York, que pagou propina para diversos altos executivos da Confederação Sul-americana de Futebol, entre eles dois ex-presidentes da CBF, José Maria Marin e Ricardo Teixeira e o atual presidente da entidade, Marco Polo Del Nero.

Alejandro afirmou também que empresas de mídia pagaram propina para cartolas. Ele citou a TV Globo, a Media Pro da Espanha, a Fox Sports dos Estados Unidos e a Televisa do México. Outras duas empresas de intermediação, a brasileira Traffic e a argentina Full Play estão envolvidas.

O depoimento foi dado no processo em que Marin, que está em prisão domiciliar nos EUA desde 2015, está sendo julgado ao lado de Juan Manuel Napout, ex-presidente da Conmebol e da federação paraguaia, e Manuel Burga, ex-presidente da federação peruana.

Burzaco falou por mais de três horas e confessou que cometeu os crimes de lavagem de dinheiro, fraude e conspiração. Segundo ele, as propinas eram pagas aos dirigentes em troca de apoio nas negociações de contratos.

Questionado pelo promotor Samuel Nitze se havia alguém no tribunal a quem ele havia pago, ele foi direto: Juan Napout, Manuel Burga, José Maria Marin. Ele enfatizou que pagou propina para todos eles, inclusive informou os períodos dos pagamentos.

Para Marin, de 2012 até 2015. Para Burga, de 2010 a 2013. Para Napout, de 2010 e 2015.

Sobre as empresas de mídia ele assegurou que todas as citadas, exceto o Clarin tiveram envolvimento nas irregularidades.

Burzaco declarou ainda que era o argentino Julio Grondona, ex-presidente da AFA, quem gerenciava a distribuição dos subornos entre os dirigentes da Conmebol.

Depois que Grondona morreu, em julho de 2014, as pessoas que conheciam todo o esquema de pagamento de propinas eram Juan Angel Napout e Marco Polo Del Nero.

Entre os anos de 2006 e 2015 ele fez pagamentos para todos na Conmebol. Presidente, integrantes do comitê executivo, vice-presidentes, secretário-geral, presidentes de federações nacionais. Todos sem exceção.

Nesse período, os presidentes da CBF foram Ricardo Teixeira de 2006 a 2012, José Maria Marin de 2012 a 2015 e Marco Polo Del Nero de 2015 até hoje. Os brasileiros no Comitê Executivo da Conmebol foram Ricardo Teixeira e Marco Polo Del Nero.

A TV Globo informou que não tolera pagamento de propina e que investigações internas mostraram que nunca houve pagamento fora de contratos.

*Informações do repórter Daniel Lian