Denúncias são devastadoras e Temer é insustentável, diz relator da reforma trabalhista

  • Por Jovem Pan
  • 03/07/2017 12h43
Brasília - O senador Ricardo Ferraço durante reunião da Comissão de Assuntos Sociais do Senado para discutir a proposta de reforma trabalhista (PLC 38/2017). Senadores decidiram adiar a leitura do relatório do senador Ricardo Ferraço para a próxima semana.(Marcelo Camargo/Agência Brasil)"Acho absolutamente inadequado que o senador Aécio Neves reassuma a presidência do partido", disse também Ferraço, dizendo que o PSDB não pode "repetir trajetória perversa" do PT

Os senadores votam nesta terça (4) requerimento para que a reforma trabalhista seja analisada em regime de urgência. A pretensão do relator Ricardo Ferraço (PSDB-ES) quer que a matéria seja votada em plenário já na quarta-feira (5). “O tema é demasiadamente conhecido, inadiável”, diz em entrevista exclusiva à Jovem Pan.

Ferraço garante que a proposta do governo Temer “mantém todos os direitos assegurados na Constituição” e diz que “é fundamental que a gente possa ampliar as oportunidades (de emprego) flexibilizando as leis trabalhistas“.

O senador tucano espera que o presidente não retire o fim da obrigatoriedade do imposto sindical ao sancionar a proposta, como uma possível troca com as centrais. “No nosso relatório a contribuição sindical passa a ser opcional. A contribuição opcional é um direito e uma conquista das pessoas. Não sei se o governo vai ou não fazer esse acordo. No meu relatório não consta e não há hipótese de eu votar em um retrocesso como esse”, reafirmou.

O trabalho em prol de agenda positiva para o governo Temer não significa, porém, que Ferraço apoie o presidente denunciado por corrupção passiva após a delação da JBS. O tucano classifica a situação do peemedebista como “insustentável”.

“Na prática as denúncias contra o governo são devastadoras e eu, pessoalmente, acho que a situação do presidente Temer é insustentável”, disse Ferraço, defendendo que o PSDB entregue os ministérios.

Questionado sobre a articulação que o Planalto terá de fazer para manter os gastos dentro do teto aprovado, ao mesmo tempo em que busca distribuir benesses para manter a base aliada, Ferraço fala em “situações absolutamente toscas” e “troca-trocas”.

“O governo é um governo frágil e não tem como gastar energia em resolver equações como essa (de manter o orçamento no teto) porque toda a sua energia está sendo gasta na sobrevida de seu mandato”, avalia. “Estamos na antessala de vivermos situações absolutamente toscas em que cooptações vão se dar, troca-trocas vão se dar”.

O senador cita o aumento salarial aprovado por medida provisória de Temer que atinge diversas categorias e significa rombo de mais R$ 12 bilhões ao orçamento da União.

“Mea-culpa” do PSDB

O senador Ricardo Ferraço também defendeu a troca definitiva da presidência do PSDB, hoje interinamente nas mãos do colega de Casa Tasso Jereissati (PSDB-CE). O senador Aécio Neves (PSDB-MG), presidente licenciado da sigla, voltou a poder atuar no parlamento depois de ficar afastado por ter sido flagrado pela Polícia Federal solicitando R$ 2 milhões a executivo da JBS.

Ferraço defende que Tasso seja efetivado e lidere um processo de “mea-culpa” do PSDB. Comparando o partido ao Partido dos Trabalhadores, o senador citou a colega Gleisi Hoffmann (PT-RS), que, ao assumir a presidência do PT, negou que a sigla devesse assumir a responsabilidade pelos crimes cometidos por seus filiados.

“Não podemos repetir a trajetória perversa desse partido (PT)”, afirmou.

“Acho absolutamente inadequado que o senador Aécio Neves, ao reassumir o seu mandato por determinação do Supremo Tribunal Federal, assuma também a presidência do partido”, opina o senador relator da reforma trabalhista.