Deputados se acovardam e não votam o que é necessário, diz relator da reforma da Previdência

  • Por Jovem Pan
  • 01/12/2017 08h23
Antonio Cruz/Agência Brasil"Muitos dizem que sabem que é importante, mas não votam porque em 2018 tem eleição. Ainda acredito que teremos condição de votar em 2018”, disse Arthur Maia

Após a Justiça determinar a suspensão da campanha da reforma da Previdência, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), dizer que ainda não há votos suficientes para aprovar a matéria em plenário e muito trabalho da oposição, o texto da PEC deve ser votado apenas no ano que vem.

Em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã, o relator da reforma da Previdência, deputado Arthur Maia (PPS-BA) declarou, “com muita tristeza” o fato de o Governo não ter conseguido, até o momento “derrotar o lobby do funcionalismo público” que persevera em manter seus privilégios.

“É um lobby poderoso e alguns deputados se acovardam e não votam o que é necessário para o País. Muitos dizem que sabem que é importante, mas não votam porque em 2018 tem eleição. Ainda acredito que teremos condição de votar em 2018”, disse.

Segundo o relator, “não é justo e nem razoável” que um deputado, senador, juiz, ministro possa se aposentar ganhando R$ 33 mil, que é o teto do funcionalismo, enquanto 98% dos brasileiros, que não são funcionários públicos, se aposentam com R$ 5.531.

“O Governo gastará com a Previdência social R$ 750 bilhões. Isso está incluindo todos os pagamentos de pensões e aposentadorias. Isso é a Previdência social. Bolsa Família, gastos com saúde não estão nessa conta. É R$ 1 bilhão a cada 12 horas. Destes R$ 750 bilhões, temos cerca de 29 milhões de brasileiros consumindo R$ 500 bilhões. E apenas 700 mil brasileiros recebendo R$ 250 bilhões”, explicou.

Arthur Maia reiterou que a PEC busca uma democracia em que os pobres não saiam prejudicados: “se fizermos analise apurada do projeto, não há nenhum artigo que atinja os pobres. Tenho esperança que consigamos dobrar essa gente e vencer essa batalha. Senão esse ano, no ano que vem para democratizar a Previdência no Brasil”.

O relator deixou claro ainda que, por sua posição ante a reforma, está disposto a receber aqueles que quiserem discutir a matéria: “eu me disponho a receber categorias que me procuram. Para dizer que não fui procurado, o presidente da FETAG me procurou, sindicato outro nenhum me procurou, mas todo santo dia, associações do funcionalismo público pedem audiências. Isso que está sendo feito é condição que é estendida a todos os outros deputados e há quem se acovarda diante disso”.

Confira a entrevista completa com o relator da reforma da Previdência, Arthur Maia (PPS):