Derrotado, Johnson retorna ao Reino Unido após decisão da Suprema Corte

  • Por Ulisses Neto/Jovem Pan
  • 25/09/2019 08h58
EFE/EPA/IAN LANGSDONAinda em Nova York, Johnson adotou tom desafiador e indicou que não pretende renunciar ao cargo

O parlamento britânico retoma suas atividades nesta quarta-feira (25) em pé de guerra, depois que a Suprema Corte do país impôs uma dura derrota ao Governo. O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, encurtou sua viagem aos Estados Unidos para acompanhar a reabertura da Câmara dos Comuns.

Ainda em Nova York, Johnson adotou tom desafiador e indicou que não pretende renunciar ao cargo. Porém, a situação dele é bastante delicada.

Em três meses de governo Boris Johnson sofreu uma derrota sem precedentes na Suprema Corte, perdeu a maioria que os conservadores tinham no parlamento, expulsou 21 parlamentares do partido, viu até o irmão dele pedir demissão do Governo e teve sua estratégia para entregar o Brexit destroçada pelos rivais e pela justiça.

É uma lambança surpreendente até mesmo para uma figura política controversa e imprevisível como Johnson.

A realidade é que ele só não cai agora mesmo porque a oposição de fato não quer – e em certa medida nem os eleitores querem. Todos especulam por aqui quais serão os próximos capítulos dessa trama depois de mais um plot twist inesperado.

A oposição não deve apresentar uma moção de desconfiança contra o Governo porque antes quer que o Brexit seja adiado. Porém, Boris Johnson não tem mais capacidade de Governar com o parlamento como está. Ele não tem forças sequer para convocar uma eleição.

Para os opositores, seria um risco grande ir às urnas agora – até porque Johnson tem chances reais de conseguir se manter no cargo.

No fim, a principal saída honrosa para o Governo neste momento é um improvável acordo com a União Europeia. Os próximos dias devem ser dedicados a esta possibilidade – tendo a fronteira da Irlanda como questão central.

Atualmente a única chance real do Brexit ser de fato entregue no dia 31 de outubro é se Boris conseguir chegar a um entendimento com a Europa.

Não é impossível, mas parece bastante improvável.