Doação de órgãos cai no primeiro semestre

No Brasil, a maior parte das doações de órgãos, cerca de 95%, vêm de doadores falecidos

  • Por Jovem Pan
  • 14/08/2020 07h08 - Atualizado em 14/08/2020 08h18
Rogério Santana/GERJCerca de 35% das famílias ainda não aceitam doar os órgãos de um familiar

Desde 2018, Rochelle Benites está na fila por um transplante de dois pulmões. Cinco anos atrás, ela descobriu que tinha fibrose pulmonar, uma doença caracterizada por cicatrizes nos órgãos, que causam falta de ar e cansaço. Rochelle costumava ser uma mulher ativa: trabalhava e adorava jogar futebol, andar de skate e surfar. Mas, desde que a doença se instalou, ela sente dificuldade de fazer as coisas simples do dia a dia. “Tomo banho sozinha, mas tomo sentada. Lavo louças sentada, não consigo ter as atividades normais, não consigo caminhar muito”, afirma.

Até o mês de junho, o Brasil tinha 40.740 pacientes aguardando um transplante e a fila deve aumentar ainda mais. Segundo dados da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, a taxa de doadores efetivos caiu 6,5% no primeiro semestre desse ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. O diretor da entidade, Huygens Garcia, explica que a queda se deve à pandemia do coronavírus, que limitou os leitos de UTI disponíveis e trouxe problemas logísticos. “Houve uma dificuldade também até mesmo de fechar o diagnóstico de morte cerebral, de abordar as famílias, e ainda tem um ponto importante,  porque o rim é um órgão que viaja a distância, por exemplo, e houve também redução muito grande da malha aérea, o que dificultou o transporte de órgãos nesse período”, afirma.

No Brasil, a maior parte das doações de órgãos, cerca de 95%, vêm de doadores falecidos. Ainda assim, segundo o presidente da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, Huygens Garcia, a taxa de recusa familiar é alta. Cerca de 35% das famílias ainda não aceitam doar os órgãos de um familiar. Por isso, Garcia ressalta a importância de se falar em vida sobre o assunto. “Os familiares devem saber que o diagnóstico de morte cerebral é extremamente seguro, a morte cerebral é irreversível. O mais importante é que as pessoas falem em vida que são doadores, quando isso acontece, basicamente em 100% das situações a família segue a vontade daquele paciente querido”, explica. A Rochelle Benites reforça o pedido. “O seu sim pode salvar a minha vida e a vida de um monte de gente”, finaliza.

*Com informações da repórter Nicole Fusco