Doria elogia prévias, mas admite que “pesquisas indicam valores mais adequados” para 2018

  • Por Jovem Pan
  • 04/09/2017 08h48 - Atualizado em 04/09/2017 14h54
Questionado se o PSDB poderia fazer prévias, e se ele recusaria disputá-las, Doria foi enfático e deu a entender que o partido deve ouvir o resultado das pesquisas

Enquanto o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), diz que não pretende deixar o Palácio dos Bandeirantes antes de abril para uma eventual disputa pela Presidência da República, o seu “afilhado”, João Doria, evita dizer que será candidato, seja no PSDB ou em outro partido.

Em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã, o prefeito de São Paulo, João Doria, evitou dizer que sairá como nome presidenciável para 2018 e, mais uma vez, negou que disputará contra seu padrinho político, Geraldo Alckmin, a vaga para o Palácio do Planalto. Alckmin já admitiu que pode sair do governo do Estado em abril ou no final do mandato, segundo ele, “todas as possibilidades existem”.

Questionado se o PSDB poderia fazer prévias, e se ele recusaria disputá-las, Doria foi enfático e deu a entender que o partido deve ouvir o resultado das pesquisas – que o mostram a frente do governador paulista. “Prévias são boas, saudáveis, sou fruto das prévias. Mas acredito que PSDB deve sintonizar com o povo através de pesquisas. Pesquisas podem indicar valores mais adequados para a disputa [da Presidência]. Avalio que esta é a melhor forma de o PSDB estar mais próximo do que a população deseja”, disse o prefeito.

Doria, entretanto, reafirmou que teria um enorme constrangimento de disputar com Geraldo Alckmin qualquer circunstância dentro do partido e que quer evitar qualquer desconforto ao governador: “prévias, mesmo sendo perspectiva longínqua, não teria sentido”.

Sabendo que Alckmin deve ser um nome do PSDB para disputar as prévias, a alternativa para Doria seria sair do partido e se lançar como nome por outra sigla. Em resposta a isso, Doria afirmou que não tem qualquer intenção de sair do PSDB, mas admitiu que a “política é muito dinâmica”.

“Sou do PSDB, estou no PSDB. Se estivesse na intenção de sair, estaria desde agora, mas não estou. A vida pública tem essa perspectiva, essas nuvens que mudam. Previas eu não vou participar, e continuarei no PSDB, exceto se não desejarem que eu continue. Foi decisão minha de filiar-me ao PSDB”, explicou.

Sobre uma eventual não realização de prévias em caso de Doria estar à frente das pesquisas e, com isso, garantir sua candidatura como nome tucano à Presidência, Doria desconversou: “é uma pergunta que deve dirigir ao PSDB. A Executivas do PSDB que deve fazer essa resposta. Eu não sou cacique, apenas integro e tenho mandato como prefeito. Esta é uma pergunta que cabe à Executiva Nacional, seja essa ou a nova que está se formando”.

Apresentado ao caso “hipotético” de sair como candidato à Presidência, o prefeito afirmou que quem tem que dizer algo é o eleitor, por meio das pesquisas. “Estamos falando sobre o futuro, prefiro falar sobre o presente. Só quero reafirmar o que tenho feito, minha admiração, estima e respeito pelo governador Geraldo Alckmin. Tudo o que eu puder fazer para não criar a ele uma situação de constrangimento e desconforto eu farei, dentro do meu limite”, reiterou.

Confira a entrevista completa:

Alckmin defende prévia

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), por sua vez, voltou a defender nesta segunda-feira (4), a realização de prévias para a escolha do candidato tucano nas eleições presidenciais do ano que vem e descartou deixar a sigla para participar da corrida pelo Palácio do Planalto, caso não receba a indicação de seu partido. “Sou a sétima assinatura na fundação do partido PSDB. Não mudei de partido, eu fundei um partido. Nós criamos um partido novo para fazer a diferença”, respondeu Alckmin ao ser questionado se poderia sair do PSDB para disputar o pleito.

Enquanto Doria deixa em aberto a possibilidade de se candidatar sem as prévias, Alckmin segue como defensor absoluto delas para se definir como candidadto à Presidência em 2018.

*Com informações da Agência Estado