Doria nega afastamento de Bolsonaro: ‘Apenas interpretações distintas’

  • Por Jovem Pan
  • 11/04/2019 09h49
Marcos Corrêa/PRO tucano reiterou que em 1964 “foi golpe indiscutivelmente” e que “não tem como apagar a história”, mas negou distanciamento do presidente

A discussão sobre o período da ditadura militar no País causou repercussões entre a sociedade e classe política quando o presidente Jair Bolsonaro afirmou que “não houve golpe militar em 1964”, no ano passado, e quando, nas últimas semanas, defendeu a comemoração em quartéis dos 55 anos do período.

Um de seus apoiadores durante a campanha, o governador de São Paulo, João Doria, disse que a data não deveria ser comemorada e gerou dúvidas sobre um suposto afastamento do presidente.

Em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã, o tucano reiterou que em 1964 “foi golpe indiscutivelmente” e que “não tem como apagar a história”, mas negou distanciamento do presidente. “Não há afastamento, apenas interpretações distintas”.

Doria aproveitou ainda para reiterar a sua posição perante o Governo Bolsonaro: “eu disse que não seríamos partido alinhado, mas apoiaríamos as iniciativas que fossem boas ao Brasil. Vamos apoiar, sem hesitar, e o que apresentar fatos distintos vamos nos posicionar”.

Questionado se o aparente distanciamento seria visando candidatura à Presidência da República em 2022, Doria desconversou e disse que seria, juntamente ao comentarista Marco Antonio Villa, candidato ao comando do Santos, clube de futebol do qual são torcedores, e disse que seu sonho é fazer grande gestão em São Paulo: “fui eleito para isso e faremos isso”.

Presidência do PSDB nacional

João Doria faz questão de afirmar que não há, em São Paulo, incertezas sobre posicionamentos. “Em São Paulo, já não tem PSDB em cima do muro, mas no plano nacional haverá uma renovação natural, mas isso não significa condenar o passado”.

O governador paulista defende para a presidência nacional do partido, hoje comandado por Geraldo Alckmin, o ex-ministro e deputado Bruno Araújo.

“Bruno Araújo deverá ser eleito. Ele é jovem, com histórico bom, foi bom ministro, deputado, líder e traz a juventude que o PSDB precisa. Precisamos mobilizar jovens e mulheres, mas precisamos de colocações, posições claras, nada de muro e não pode mais ser um partido analógico”, disse.

Doria defendeu ainda um novo posicionamento por parte do PSDB para se colocar como partido de centro. “Defendo um movimento de equilíbrio, mas com posições firmes e apoiando a livre iniciativa”, finalizou.

Crise na área de Cultura

Recentemente, o governo paulista esteve no centro da polêmica sobre o projeto Guri e oficinas culturais e a possibilidade de cortes.

Doria voltou atrás e manteve os programas, mas aproveitou para culpar o “governo socialista de Márcio França”, seu antecessor, que “superestimou receitas e subestimou despesas” chegando a um déficit de R$ 10,5 bilhões.

O governador tucano isentou o secretário de Cultura do Estado, Sérgio Sá Leitão, que “cumpriu a função que era de contingenciamento”. “Mas eu disse que não vamos contingenciar na Cultura. Cultura não se altera, é parte da educação de um povo”, afirmou.

Sobre a Lei Rouanet, Doria disse que haverá restrição, mas não será coibida. “A lei não vai terminar”, garantiu. “Não haverá interrupção no projeto de apoio a museus e nem aqui no Museu da Independência. Mas vai usar a lei. Sem a Lei Rouanet, não há como recuperar o museu e nem outros museus brasileiros”.

Segurança em escolas

Após o massacre na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, medidas de segurança vêm sendo alvo de atenção das autoridades paulistas na segurança de unidades de ensino.

No local, segundo citou Doria, há o projeto de revitalização da escola para que ela seja reverenciada “na alegria de ensinar” e não na tristeza de relembrar o episódio que deixou alunos e professoras mortas.

Em relação ao atendimento psicológico, este será realizado com alunos, professores, pais de alunos e familiares das vítimas.

Confira a entrevista completa com o governador de São Paulo, João Doria: