Eletrobras não tem plano B para a capitalização

  • Por Jovem Pan
  • 26/12/2019 09h22 - Atualizado em 26/12/2019 10h02
ReproduçãoA estatal vem investindo cerca de R$ 5 bilhões, mas considera necessário, para manter o patamar, algo na ordem de R$ 10 bilhões

De acordo com fontes da Jovem Pan, não há plano alternativo para a privatização da Eletrobras. Ambas ficaram impressionadas com a declaração dada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, em um café da manhã com jornalistas na última semana.

Alcolumbre disse que “do jeito que o PL foi apresentado ao Congresso, não deve ser aprovado”. Esse projeto de lei foi encaminhado em novembro e contém lá está o modelo de capitalização previsto pelo Governo Federal. A expectativa é de uma receita de R$ 16 bilhões.

A Eletrobras, ao arrecadar o montante, poderá fazer novos contratos mais favoráveis e vantajosos — já que a geradora de energia é responsável por 1/3 de toda a energia elétrica do Brasil. A companhia espera com ansiedade o processo de privatização já que tem problemas de caixa, embora tenha dado lucro de R$ 7 bilhões nos nove primeiros meses do ano, para fazer os investimentos necessários.

A estatal vem investindo, ao longo dos anos, cerca de R$ 4 a R$ 5 bilhões, mas considera necessário — para manter seu patamar no mercado — algo na ordem de R$ 10 bilhões.

As fontes dizem que não existe “plano b” e o que falta, talvez, é explicar melhor aos políticos como vai funcionar essa capitalização. O encontro deve ser marcado por representantes do governo ainda em 2019, no máximo no inicio do ano que vem.

Recentemente o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, reiterou que o Governo trabalha com perspectiva de aprovação do PL ainda no primeiro semestre para que a operação seja realizada, de fato, na segunda metade de 2020.

Para quem não entendeu, o modelo de capitalização vai acontecer da seguinte forma: o capital da Eletrobras vai ser ampliado e o acionista majoritário, a União, não vai acompanhar o processo. Com isso, a participação da União vai acabar encolhendo e fundos e investidores poderão abocanhar essa fatia da estatal. Por fim, o governo passará a ficar com uma fatia menor que 50%, transformando-a em um corporação.

*Com informações do repórter Rodrigo Viga