Em despedida, Pazuello denuncia pressão por dinheiro de ministério

Ex-ministro também afirmou que há direcionamento político dentro da pasta; sem citar nomes, chegou até mesmo a acusar um grupo de médicos de tentar fraudar uma nota técnica

  • Por Jovem Pan
  • 25/03/2021 08h44 - Atualizado em 25/03/2021 15h55
DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO - 23/03/2021Eduardo Pazuello foi substituído no comando do Ministério da Saúde pelo cardiologista Marcelo Queiroga

O ex-ministro Eduardo Pazuello, demitido da pasta da saúde em pleno auge da pandemia de coronavírus no país, fez sérias acusações em um momento de despedida do ministério. Em vídeos divulgados pelo site da revista Veja, Pazuello diz que havia interesse nos recursos da pasta, falando: “todos queriam o ‘pixulé’ do final do ano”. Nas imagens, próximo a ele estão seus auxiliares no ministério, os coronéis Luiz Otavio Franco Duarte, secretário de atenção especializada em saúde, e Élcio Franco Filho, secretário executivo. “Chegou no final do ano uma carreata de gente pedindo dinheiro politicamente. O que nós fizemos, Franco e Duarte?”, perguntou Pazuello. O secretário executivo disse que recursos atenderam às demandas dos Estados conforme critérios epidemiológicos.

Pazuello também afirmou que há direcionamento político dentro do ministério. Sem citar nomes, chegou até mesmo a acusar um grupo de médicos por tentar fraudar uma nota técnica para conseguir distribuir um medicamento. O ex-ministro disse que a presença de médicos na pasta é fundamental, mas não se pode esquecer que o ministério “é alvo de pressões políticas” e explica o motivo. “Por causa do dinheiro que é destinado aqui de forma discricionária. Então, a operação de grana com fins políticos acontece aqui. Acabamos com 100%? Não vou dizer isso. 100% nem Jesus Cristo”, afirmou. Pazuello ainda declarou que não conseguiu prever o crescimento da pandemia por conta das novas variantes do coronavírus. Sobre a investigação da Polícia Federal contra si, se limitou a dizer: “a história vai nos julgar”.

*Com informações do repórter Fernando Martins