Em encontro histórico, líderes das Coreias do Norte e Sul prometem acordo de paz

  • Por Ulisses Neto/Jovem Pan
  • 27/04/2018 07h03
EFENo livro de visitas, Kim escreveu: “Uma nova história começa agora, o ponto de partida de uma era de paz.”

O encontro histórico entre os líderes da Coreia do Norte e do Sul nesta sexta-feira (27) pode marcar mais um passo no processo de paz na península dividida por tensões e ameaças há mais de 65 anos.

Kim Jong-un, do Norte, e Moon Jae-in, do Sul, se reuniram hoje em um momento surpreendente, até inesperado pela comunidade internacional, e que está marcado por simbolismos.

O aperto de mão entre os dois na linha demarcatória da zona desmilitarizada ocorreu pela manhã, noite desta quinta-feira no Brasil. Os dois líderes apareceram sorridentes. Kim com o tradicional traje maoísta, Moon com o habitual terno ocidental.

Houve uma rápida quebra de protocolo – ou pelo menos do que havia sido programado para o encontro – quando Kim Jong-un convidou Moon Jae-in para cruzar a fronteira e entrar no lado norte-coreano.

Depois disso, os dois seguiram para a Casa de Paz, onde foi assinado o armistício de 1953. No livro de visitas, Kim escreveu: “Uma nova história começa agora, o ponto de partida de uma era de paz.” Ele se tornou o primeiro líder do Norte a pisar no Sul.

As negociações continuaram durante todo o dia, com um jantar incluindo as esposas dos dois líderes agora a noite – a Coreia está 12 horas a frente de Brasília – e as repercussões do encontro ainda são incertas, embora a perspectiva seja positiva.

De fato é uma reviravolta inesperada na crise da península já que o ano passado foi marcado por testes nucleares na Coreia do Norte e o lançamento de um míssil intercontinental, elevando em muito as tensões com o vizinho e, principalmente, com o Ocidente.

Na virada do ano, Pyongyang baixou a retórica e anunciou inclusive que seus atletas participariam dos Jogos de Inverno, realizados no Sul. Os dois países desfilaram juntos na abertura do evento em mais um ato simbólico do até então improvável processo de paz.

Agora ocorre o encontro desta sexta-feira, que antecipa a possível viagem de Donald Trump para a Coreia do Norte. Possível, porque o que chefe da Casa Branca fala normalmente não tem muita substância e ontem mesmo ele já afirmou que talvez o encontro nunca ocorra. De qualquer forma, ele é esperado em Pyongyang no mês que vem.

O fato é que Kim Jong-un até pouquíssimo tempo atrás era classificado como líder errático, imprevisível. Chegou a ser chamado de “gordinho lunático”, para colocar em termos vulgares utilizados por comentaristas e até líderes internacionais.

O encontro de hoje começa a mudar essa imagem. Ao que tudo indica Kim tinha um plano. Hoje ele posa para as câmeras internacionais como um verdadeiro chefe de estado ao lado de seu colega do Sul. Mais ainda, possivelmente como chefe de uma potência nuclear. Algo que o Ocidente terá que aceitar a contragosto.