Em evento com prefeitos, Doria e Ciro fazem afagos a gestores locais e ataques a Bolsonaro

Presidente da República fez um discurso na abertura da Marcha em Brasília em Defesa dos Municípios; Lula cancelou sua participação, prevista para esta quinta

  • Por Jovem Pan
  • 28/04/2022 10h30 - Atualizado em 28/04/2022 13h00
Reprodução/XXIII Marcha a Brasília Ciro Gomes Ciro Gomes em discurso na Marcha na última quarta-feira disse que sua proposta é discutir um novo modelo econômico e um novo modelo de governança política

Durante a Marcha em Brasília em Defesa dos Municípios, evento que reúne mais de cinco mil prefeitos, vereadores e gestores de todo o país na capital federal, João Doria (PSDB) e Ciro Gomes (PDT) discursaram, fazendo afagos ao municipalismo e a gestores locais na última quarta-feira, 27. Ambos também atacaram a gestão do presidente Jair Bolsonaro (PL). O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cancelou sua participação no evento, prevista para esta quinta-feira, 28.

O pré-candidato pelo PSDB à Presidência da República, João Doria, disse que se inspira no ex-governador de São Paulo André Franco Montoro para ser, caso eleito, um presidente municipalista. Ele aproveitou o espaço para divulgar as ações que realizou no governo de São Paulo e disse que o papel do bom gestor está na descentralização. “O povo brasileiro quer um resolvedor de problemas e não criador de problemas. Chega de briga, de conflito, chega de agressões, nós precisamos de paz no Brasil. Paz, harmonia e entendimento. Deus nos ensinou isso. Os que são cristãos, e mesmo os que não são, sabem disso. Sem o ambiente de paz, nós não teremos prosperidade. Sem paz, nós vamos não vamos gerar empregos. Sem paz, nós não vamos proteger os mais pobres, os mais vulneráveis”, disse.

Já o pré-candidato pelo PDT, Ciro Gomes, último presidenciável que participa da Marcha, disse que não vê rivalidade na tentativa de definir um único nome para a terceira via nas eleições deste ano e que é o único com legitimidade para enfrentar a polarização entre Bolsonaro e Lula. Ciro afirmou ainda que, nos bastidores, conversa com Gilberto Kassab (PSD) e que, no chamado “centro democrático”, tem consideração por Simone Tebet (MDB) e Luciano Bivar (União), que seriam, para Ciro, os únicos com o que ele chamou de capacidade convocatória no processo de possíveis alianças. Ciro afirmou ainda que considera Sergio Moro (União) um inimigo da República e ofendeu Bolsonaro, acrescentando que a elite responsável pela eleição está decepcionada.

“Todos os presidentes, da redemocratização para cá, governaram com essa mesma governança. Olha no que deu. Não estou fazendo juízo de valor. Collor cassado; Fernando Henrique, nunca mais o PSDB ganhou uma eleição nacional; Lula foi parar na cadeia; Dilma foi cassada; Michel Temer foi preso; e Bolsonaro agora está sofrendo os constrangimentos de se filiar ao partido do Valdemar Costa Neto, que foi preso no escândalo do Mensalão porque roubava no DNIT. Desculpa, eu não tô falando para nada, o Bolsonaro também é vítima disso, quem gosta do Bolsonaro também é vítima disso. Mas nós não estamos falando de vitimismo, nós estamos do futuro do Brasil. E a proposta é essa: discutir um novo modelo econômico e um novo modelo de governança política”, disse Ciro Gomes.

O ex-presidente Lula estava previsto para ser sabatinado pelos prefeitos nesta quinta-feira, 28, o último dia da Marcha. Mas não vai comparecer. Segundo a Confederação Nacional de Municípios, a equipe do pré-candidato do PT alegou questões logísticas para justificar a ausência dele. O presidente Bolsonaro fez um discurso na abertura do evento e foi acompanhado dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, além de 18 ministros. A senadora Simone Tebet também conversou com os gestores municipais. O deputado federal André Janones, que quer disputar a presidência pelo Avante, havia confirmado, mas cancelou a participação.

*Com informações da repórter Katiuscia Sotomayor