Em quarentena, Europa celebra 75 anos do fim da Segunda Guerra

  • Por Ulisses Neto/Jovem Pan
  • 08/05/2020 07h02 - Atualizado em 08/05/2020 09h31
EFEEm 2020 a data está sendo celebrada dentro de casa, por conta da quarentena em todo o continente

Nesta sexta-feira (8) é feriado na Grã Bretanha e também aniversário de 75 anos da vitória dos aliados na Segunda Guerra Mundial. Uma efeméride dessas normalmente receberia grandes celebrações nas ruas de toda a Europa, principalmente aqui de Londres.

Em 2020 a data está sendo celebrada dentro de casa, por conta da quarentena em todo o continente.

Às três da tarde do dia 8 de maio de 1945 o lendário primeiro-ministro Winston Churchill anunciava no rádio a esperada vitória sobre o nazismo.

As batalhas na Europa, que tiveram a participação de 25 mil brasileiros na campanha da Itália, estavam encerradas — o que deu início a uma longa celebração nas ruas da capital britânica.

A rainha Elizabeth II, que ainda era princesa na época, chegou a se juntar às celebrações do povo ao lado da irmã — ambas disfarçadas. A Segunda Guerra Mundial já estava praticamente liquidada, mas só chegaria ao fim em agosto, quando os japoneses se renderam.

Mesmo com a vitória, os europeus ainda enfrentaram um longo período de recuperação e grande parte das restrições do dia a dia continuou em prática. De certa forma, essa é a expectativa que o continente vive hoje enfrentando um novo período de calamidade histórica.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, enviou mensagem à nação hoje comparando a situação da Segunda Guerra Mundial com a pandemia da doença causada pelo novo coronavírus.

Para o conservador, o desafio do Covid-19 exige o mesmo espírito de empreitada nacional e que foram as pessoas comuns que levaram o país a superar o momento de grave crise 75 anos atrás.

Johnson, aliás, está sob forte pressão depois de ter dado indícios de que a quarentena por aqui seria relaxada a partir de segunda-feira (12). Mais uma vez o primeiro-ministro parece ter colocado o carro na frente dos bois e o gabinete dele precisou recuar.

Nesta semana a Grã Bretanha se tornou o segundo país do mundo com mais mortes pela covid-19 — o mais afetado da Europa. Por isso, a intenção de flexibilizar a quarentena não pegou bem nem com a população, que em sua maioria quer continuar em casa.

Os outros líderes do Reino, que podem determinar as regras de isolamento social sem precisar de Londres, avisaram que não seguiriam Johnson. A Escócia já ampliou a quarentena por mais três semanas e o País de Gales deve fazer o mesmo, assim como a Irlanda do Norte.

Hoje o governo central já indica que o aguardado pronunciamento de Boris Johnson no domingo (11) irá apresentar um plano de relaxamento da quarentena, mas que ele será lento e cuidadoso. As pessoas não devem esperar grandes mudanças por enquanto.

#keepthelockdown

Mesmo depois de quase dois meses em casa, os britânicos ainda estão assustados e não querem arriscar uma segunda onda de contaminações agora. A hashtag #keepthelockdown, ou mantenha o isolamento, liderou as redes sociais por aqui na quinta.

E esse é o tema do podcast Londres Real da semana — um programa da Jovem Pan que fala sobre a vida na Inglaterra.

No episódio de hoje eu comento um pouco sobre como anda o moral dos londrinos nesta pandemia e o porquê deles quererem continuar com a quarentena neste momento.

Ele já está disponível no seu aplicativo favorito, como Spotify, Deezer, Apple Podcasts e no site da Jovem Pan.