Em vídeos, Bolsonaro e Dallagnol trocam farpas e acusações

Ambos falaram de um convite para uma reunião que teria sido feito em 2019, antes da indicação de Augusto Aras para a PGR

  • Por Jovem Pan
  • 13/12/2021 08h11 - Atualizado em 13/12/2021 10h15
Fernando Frazão/Agência Brasil O procurador da República Deltan Dallagnol Bolsonaro disse que Deltan teria pedido uma audiência e o ex-procurador diz que a equipe do presidente foi quem o procurou

Dois dias depois que Deltan Dallagnol se filiou ao Podemos, em um evento em um hotel em Curitiba, o mesmo em que realizava coletivas de imprensa sobre a operação Lava Jato, o presidente Jair Bolsonaro (PL) divulgou um vídeo criticando o ex-procurador. Na mensagem, ele disse que rejeitou uma audiência solicitada por Dallagnol em 2019, às vésperas da indicação de Augusto Aras à procurador-geral da República, por receio de sair uma ‘história pronta’ do encontro, em que ele poderia ser acusado de tentar negociar algo para aliados ou parentes em troca da vaga. “Se eu tivesse dado essa audiência para ele, com toda certeza eu não iria indicá-lo para a PGR, mas ele iria sair com uma história pronta. Como ele não aceitou, o Deltan Dallagnol ia me acusar de parcial”, disse o presidente no vídeo.

Por sua vez, Dallagnol publicou um vídeo nas redes sociais rebatendo as críticas de Bolsonaro e dizendo que jamais buscou o presidente para uma audiência. De acordo com o ex-procurador, o que ocorreu foi o oposto, ele diz que foram interlocutores de Bolsonaro que buscaram por ele para saber se ele teria interesse em entrar na vaga de procurador-geral da República e ele teria respondido que não queria o cargo. Ele ainda disse que não ligou para o presidente, nem antes de Augusto Aras ser nomeado ao cargo e nem depois. Ainda no vídeo, Dallagnol negou que os depoimentos da Lava Jato eram escritos pelos procuradores, de forma a forçar um depoimento, ele diz que, provavelmente Bolsonaro fala sobre esse assunto porque não teve a oportunidade de conhecer o trabalho feito pela força tarefa.

O ex-procurador também disse que a operação nunca blindou nenhum político, mas que, por causa do foro privilegiado, as ações eram dificultadas. “Sobre os comentários do presidente Jair Bolsonaro, que me enviaram quando eu estava na igreja, ao contrário do que ele afirmou, eu jamais pedi reunião com ele ou liguei para ele, nem antes e nem depois da indicação do procurador-geral da República que acabou com a Lava Jato. Interlocutores do planalto me procuraram em 2019 para perguntar se eu aceitaria me reunir com ele, mas eu recusei, do mesmo modo que eu recusei o convite para ir ao Palácio do Jaburu para encontrar o então presidente Temer, em 2016. Nessas duas ocasiões, a nossa equipe de procuradores entendeu que os encontros não seriam apropriados porque alimentaria questionamentos infundados sobre o nosso trabalho, que sempre foi técnico, imparcial e apartidário”, disse Dallagnol.

Como procurador, Dallagnol trabalhou na Lava Jato de 2014 a 2020 e, em novembro deste ano, pediu exoneração do Ministério Público Federal (MPF) para entrar na política, disse que pretendia continuar trabalhando contra a corrupção de outra forma. Na cerimônia de filiação ao Podemos, mesmo partido do ex-juiz Sergio Moro, o ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro que e pré-candidato à presidência da República fez ataques a Bolsonaro e ao partido dos trabalhadores (PT) e disse que não é da turma do mensalão, petrolão ou rachadinha. Bolsonaro tem dito que o adversário faz campanha na base da mentira.

*Com informações da repórter Katiuscia Sotomayor