Empresários discutem sucessão no setor privado em evento do Grupo LIDE

Das 300 maiores empresas do Brasil, 270 são de controle familiar

  • Por Jovem Pan
  • 10/11/2023 10h01
Reprodução/Jovem Pan News grupo-lide-reproducao-jovem-pan-news Grupo LIDE promoveu seminário sobre sucessão no comando de empresas

O Grupo de Líderes Empresariais (LIDE) se reuniu em São Paulo nesta quinta-feira, 9, e um dos temas da conferência foi o processo de sucessão do comando de empresas. Das 300 maiores empresas do Brasil, 270 são de controle familiar. O CEO do Grupo Simpar, Fernando Simões, destacou a importância do vínculo familiar em sua trajetória, seu pai deu a diretriz para que assumisse os negócios: “Valores muito definidos pela origem do meu pai. Da importância do cliente, de prestar serviços, de cuidar da nossa gente, das pessoas e de estar sempre disposto a prestar o serviço, entendendo a importância da qualidade do serviço”. Já Márcia Molina, membro do conselho da Marfrig/BRF indicou que é preciso que os filhos de donos de grandes corporações sejam provocados para não caírem na zona de conforto: “Eu falo para os meus filhos: ‘Vocês querem ser herdeiros ou vocês querem ser sucessores?’. Aí eles falam ‘quero ser sucessor’, mas você está se comportando como um herdeiro. Nisso você vai mudando a cabeça deles”.

Atualmente, o modelo de sucessão familiar tem levado em conta a necessidade de se alavancar novos temas. Preocupações com questões sociais e ambientais estão no foco das novas gerações de líderes dentro dos grupos empresariais, com o intuito de não se ater apenas aos lucros, mas também no que pode ser devolvido para a sociedade. “A gente viu muito forte, principalmente na pandemia, o papel da responsabilidade social e ambiental no ser cidadão. O que a gente pode fazer para devolver para a sociedade um pouco daquilo que a gente ganha?”, questionou Regina Helena Velloso, membro do conselho de família do Grupo Votorantim.

O CEO da Helbor, Henry Borenstein, falou sobre sua experiência pessoal na transição do comando da empresa, que era gerida por seu pai: “Ele disse: ‘Você já está aqui há muitos anos e eu gostaria que você continuasse a nossa empresa e se tornasse o CEO da empresa’. Ele usou uma frase que eu gostei muito que é assim ‘em quero fazer isso enquanto eu estou vivo e bem, porque se você fizer coisa errada eu estou aqui para te ajudar’. Foi isso que ele fez e estamos juntos até hoje”. Já Bruno Garfinkel, presidente administrativo do Grupo Porto Seguro, relatou que teve que passar por diversas áreas da empresa antes de alcançar o posto mais alto: “Voltei de Boston para o Rio de Janeiro e descobri que ia trabalhar no callcenter, atendendo o telefone dos clientes que tinham batido o carro ou precisavam trocar um pneu. Não era exatamente o que eu estava esperando quando aceitei o convite em um primeiro momento, achei que ia liderar a empresa no Rio de Janeiro”.

Para o ex-governador de São Paulo, João Doria, a sucessão familiar passa por valores e princípios: “O melhor exemplo que um pai e uma mãe podem oferecer aos seus filhos é o seu caráter, não é o tamanho do seu dinheiro, propriedades ou poder político, religioso ou de outra ordem, é o seu próprio exemplo de decência, honestidade e de referência para seus filhos”.

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