Muitos empresários vão ficar pelo caminho, avalia superintendente da Lojas CEM

  • Por Jovem Pan
  • 20/04/2020 09h55 - Atualizado em 20/04/2020 10h03
EFE/ Fernando Bizerra/ArchivoMesmo com a pandemia e a suspensão do comércio, as Lojas CEM mantém os investimentos planejamos para 2020

Os impactos da pandemia do coronavírus no varejo podem levar a impactos irreversíveis em algumas algumas empresas. Para José Domingos Alves, superintendente da Lojas CEM, os efeitos podem gerar um aumento no número de desempregados no país e retração na renda.

Em entrevista ao Jornal da Manhã desta segunda-feira (20), o superintendente afirmou que a maior preocupação é com os empresários que não conseguirão se manter com as portas fechadas. Por isso, José Domingos acredita que o governo de São Paulo deveria ouvir os empresários que têm experiência para lidar “com o público e com a crise”.

“O governo federal eu vejo com bons olhos, ele tem feito o melhor que ele pode. Já do governo do Estado de São Paulo não estou vendo nada tão importante a nível de ajudar a preservar os empregos e sim essa atitude de fechar todo o comércio sem avaliar as particularidades de cada região é uma atitude que não concordo. Sou pai de família tenho preocupação com relação a contaminação, mas tenho acompanhado e tenho visto muitos empresários vão ficar pelo caminho.”

Com a quarentena e o fechamento do comércio, a empresa está sem nenhuma forma de faturamento, já que as Lojas CEM não trabalham com vendas online. Segundo José Domingos Alves, mesmo antes da pandemia, as compras pela internet representavam apenas 5% das vendas.

A empresa colocou seus 11.700 funcionários de férias, exceto aqueles que trabalham no departamento pessoal e no setor de contas a pagar, até o dia 23 de abril, quinta-feira. De acordo com o superintendente, eles estão estudando agora viabilizar banco de horas e até mesmo afastamento temporário de trabalho, seguindo as medidas propostas pelo governo federal.

“Nós ainda não utilizamos nada, as férias nós pagamos os 33%. Posteriormente, vamos usar o fundo de garantia e a suspensão de trabalho, se for o caso, o último é a demissão. Nós vamos utilizando na medida que o governo for proporcionando, tentando utilizar o mínimo.”

Investimentos

Mesmo com a pandemia e a suspensão do comércio, as Lojas CEM mantém os investimentos planejamos para 2020, o que inclui a construção de um novo centro de distribuição com investimento de R$ 150 milhões. “Esse investimento é com recurso próprio, não dependemos de investimento de banco estatal, tudo com recurso próprio”, afirma José Domingos.

Outro investimento que a empresa mantém é a paralisação de possíveis cobranças de juros pelas parcelas dos carnês feitos pelos clientes. As Lojas CEM adotam o modelo e vão garantir que, durante todo o período da pandemia, os clientes não sejam cobrados por juros referentes ao período em que as lojas estão fechadas, o que inviabiliza os pagamentos feitos exclusivamente de forma presencial.

Ainda de acordo com José Domingos, a empresa, fundada em 1952, manteve todo o pagamento de fornecedores e está garantindo que sua parte financeira consiga se manter mesmo diante de mais uma crise.

“Toda nossa parte financeira estamos conseguindo manter. Passamos por todas as crises, nunca fechamos uma filial, todas a nossas lojas passaram por todas as crises e tudo isso se deve a uma responsabilidade dos proprietários das Lojas CEM.”