Enquanto May luta para se manter no cargo, Jeremy Corbyn tem alta na popularidade

  • Por Ulisses Neto/Jovem Pan
  • 18/07/2017 10h21 - Atualizado em 18/07/2017 10h41
Enquanto os “tories”, como os conservadores são chamados, batem cabeça, o líder trabalhista Jeremy Corbyn segue surfando a onda de popularidade

Uma das particularidades do sistema parlamentarista é que o chefe de governo nunca está verdadeiramente garantido no cargo. Bem ou mal, ele – ou ela – está constantemente flertando com a queda, se sua base de apoio não for extremamente consolidada.

Funciona para democracias consolidadas e com baixo nível de corrupção, como no Reino Unido. Mas ainda assim não deixa de ser no mínimo emocionante, para colocar em termos delicados, para os eleitores.

Vejam o caso da primeira-ministra Theresa May. A eleição que ela convocou e saiu mal já passou faz mais de um mês. Mas a verdade é que a líder conservadora segue na corda bamba.

O próprio partido dela está em desarranjo e atua para derrubá-la daqui até o final do ano. Na verdade, muitos analistas políticos britânicos acreditam que os conservadores só não fizeram isso até agora porque não existe um sucessor natural de May.

E enquanto os “tories”, como os conservadores são chamados, batem cabeça, o líder trabalhista Jeremy Corbyn segue surfando a onda de popularidade que cresceu para o lado dele nos últimos tempos.

Nesta terça-feira (18), Theresa May se reúne com seu gabinete quase implorando por uma trégua porque demonstração de força ela realmente não tem como dar. A sorte dela é que o recesso parlamentar está prestes a começar, o que dará alguma sobrevida para May. Mas muita gente acha que ela pode passar a próxima estação mandando currículos para o setor privado em busca de recolocação.

Se isso acontecer, é provável que o Reino Unido tenha a terceira eleição geral em apenas dois anos. Uma daquelas particularidades do sistema parlamentarista que surpreendente até mesmo os que já estão secularmente habituados a ele. Mas funciona bem no Reino Unido. Até porque são apenas dois partidos que mandam na prática e o fisiologismo não é um atributo amplamente compartilhado pela classe política local.