Entidades e ex-secretário criticam propostas de reforma tributária e falam em volta da CPFM

  • Por Jovem Pan
  • 18/02/2020 07h18
ROBERTO CASIMIRO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDOMarcos Cintra foi exonerado por Jair Bolsonaro

Economistas ainda não descartam a criação de um imposto sobre transações financeiras em uma eventual reforma tributária. Em um evento em São Paulo, o ex-secretário da Receita Federal, Marcos Cintra, defendeu a criação de uma novo texto sobre o tema.

Segundo Cintra, a equipe econômica do governo, chefiada pelo ministro Paulo Guedes, estava caminhando bem na elaboração de um projeto próprio, mas foi “interrompida” e “censurada” no meio do processo. O economista, que foi exonerado por Bolsonaro em setembro do ano passado após sugerir a volta da extinta CPMF, afirmou que o imposto foi demonizado por um debate “desinformado”.

Cintra participou, ao lado de economistas e mais de cem entidades, de um ato contra o aumento de impostos e a favor da desoneração da folha de pagamento. Segundo o presidente da Associação Comercial de São Paulo, Alfredo Cotait Net, o objetivo do grupo é expor os problemas das propostas de reforma tributária que atualmente tramitam no Congresso. “Nós queremos uma reforma tributária, mas que não haja aumento de impostos. Que simplefique as obrigações dos empresários e das pessoas, e principalmente, anule e termine uma série de obrigações acessórias.”

Para o senador Major Olímpio, do PSL, as PECS em andamento na Câmara e Senado beneficiam apenas alguns setores da economia. “Nós vamos apresentar modelos muito melhores. Tentar fazer a PEC 45 ou a 110 é simplesmente tentar aperfeiçoar o obsoleto, o que não serve mais. O Brasil vai entrar em campo para dizer ‘nós queremos um sistema melhor’. Um sistema que seja pior ainda, que favoreça alguns grupos econômicos, e penalize mais a população, isso o povo brasileiro não vai aceitar.

Olímpio é um dos indicados para integrar a comissão mista que vai tentar unificar os vários projetos de reforma tributária em discussão pelos parlamentares. O senador defende que as propostas sejam mais esclarecidas à população.

* Com informações da repórter Beatriz Manfredini