Entidades não acreditam em grandes avanços em cúpula do clima de Biden

Encontro virtual foi convocado pelo presidente americano Joe Biden para os dias 22 e 23 de abril

  • Por Jovem Pan
  • 18/04/2021 11h28
EFE/EPA/Chris Kleponis / POOLPolíticos e outras entidades ainda acusaram o governo brasileiro de manter a “pauta ambiental guiada pelo agronegócio”

As negociações entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos sobre o tema ambiental, incluindo a preservação da Amazônia, são vistas com receio por organizações. A poucos dias da Cúpula do Clima, encontro virtual convocado pelo presidente americano Joe Biden nos dias 22 e 23 de abril, as entidades temem que o presidente Jair Bolsonaro receba financiamento externo sem oferecer garantias consistentes de que reforçará a proteção do meio ambiente.

Nos últimos dias, foram enviadas cartas e mensagens direcionadas a Biden, que repercutiram nas redes sociais. Em vídeo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, o cacique Raoni Metuktire, conhecido mundialmente, pede que o presidente americano não confie em Bolsonaro e diz que é preciso escolher entre o mandatário brasileiro e a Amazônia. Na quinta-feira, o Fórum Nacional Permanente em Defesa da Amazônia apresentou um manifesto para exigir transparência nas negociações entre os dois países.

Durante o encontro batizado de Emergência Amazônica – Em defesa da Floresta, o coordenador do fórum, deputado Airton Faleiro, disse que o acordo está sendo conduzido “por debaixo dos panos”. “Nós queremos discutir a cooperação, mas sobre outras bases, com a participação dos povos da Amazônia, das organizações, da sociedade civil, do parlamento brasileiro em sintonia com os povos e a comunidade internacional. A Amazônia não é só brasileira, ela é pan-americana. Queremos que qualquer acordo seja conversado com  conjunto das forças que atuam no Brasil e nos demais que compõe a Amazônia pan-americana.”

Para o analista do Observatório do Clima, Márcio Astrini, as negociações vêm desprezando o necessário compromisso do Brasil com a preservação amazônica. “O governo americano não está negociando com o Brasil, ele está negociando com os interesses do presidente Bolsonaro. É muito diferente de negociar com o povo brasileiro e gerar acordar que tragam benefícios para salvar a Amazônia.” O acordo também recebeu críticas do Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia Legal, que reúne nove governadores da região.

O governador do Maranhão e presidente do consórcio, Flávio Dino, pediu que os Estados Unidos levem em conta o “plano estratégico de recuperação verde”. “O primeiro deles é a redução da taxa de desmatamento com as metas mais compatíveis com a redução dos gases de efeito estufa em razão dos compromissos com a nossa população e também dos deveres internacionais que o Brasil possui.” Políticos e outras entidades ainda acusaram o governo brasileiro de manter a “pauta ambiental guiada pelo agronegócio” e de “pedalada climática” ao reduzir as metas da Contribuição Nacionalmente Determinada, que trata das emissões de gases do efeito estufa. Também houve críticas à forte redução do orçamento destinado ao Ministério do Meio Ambiente.

*Com informações da repórter Letícia Santini