Escola no CE recua de expulsão de criança transgênero após repercussão nas redes sociais

  • Por Jovem Pan
  • 23/11/2017 07h09 - Atualizado em 23/11/2017 11h45
Reprodução/FacebookMara Beatriz acusou o colégio "Educar Sesc" de se recusar a renovar a matrícula da filha de 13 anos depois que a jovem assumiu ser transexual

Escola em Fortaleza volta atrás em expulsão de criança transexual após repercussão do caso nas redes sociais.

Mara Beatriz acusou o colégio “Educar Sesc” de se recusar a renovar a matrícula da filha de 13 anos depois que a jovem assumiu ser transexual. A adolescente estuda na instituição há 11 anos e, de acordo com a família, é muito respeitada pelos colegas.

Mara contou o caso no Facebook: a publicação ultrapassou os 35 mil compartilhamentos e atingiu mais de um milhão de usuários.

Durante o processo de mudança de gênero da filha, Mara disse que reclamou de atitudes da escola, como não usar o nome social dela e não permitir que a menina usasse o banheiro dos alunos, apenas o dos funcionários.

Quando foi chamada para uma reunião no colégio, ela imaginou que resolveria o problema, mas foi surpreendida pela gerente regional de educação: “ela disse ‘seguinte, entendo as queixas que vocês têm feito, mas a escola não tem como se ajustar às necessidades dela, então recomendo que vocês procurem outra história’”.

A descoberta da transexualidade da jovem é recente, começou neste ano e contou com total apoio do pai e da mãe.

A adolescente faz acompanhamento com especialistas e a família buscou ajuda no Centro de Referência LGBT Janaina Dutra, da Prefeitura de Fortaleza.

Mara Beatriz defendeu que o amor pelos filhos seja maior que qualquer preconceito: “hoje a minha filha diz que ela se sente bem usando roupas de menina, sendo tratada como menina, então cabe a mim respeitar e amar. Se daqui uns anos ela me dizer que era uma fase, o que vai me caber? Respeitar e amar”.

Sobre a expulsão da escola, os pais decidiram prestar queixa na Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente.

Depois da repercussão, o colégio pediu desculpas e declarou, em nota, que a aluna tem a matrícula assegurada para 2018.

*Informações da repórter Marcella Lourenzetto