Escolas brasileiras perdem tempo de aprendizado com bullying e interrupções na aula, diz pesquisa

Atrás do Brasil, só a África do Sul e a Arábia Saudita gastam mais tempo com tarefas não relacionadas ao aprendizado

  • Por Jovem Pan
  • 20/06/2019 10h09
Paulo Liebert/Estadão ConteúdoApenas 67% do tempo de aula nas escolas brasileiras é utilizado com aprendizado

Em uma aula normal do Ensino Médio, os professores brasileiros passam, em média, 67% tempo trabalhando como processo de aprendizado. O resto é gasto fazendo chamada e mantendo a ordem da classe. É o que aponta a pesquisa Talis, divulgada nesta quarta-feira (19) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), segundo avaliações dos próprios professores e diretores escolares.

A OCDE ouviu 250 mil educadores de 48 países. Na media internacional, eles usam 78% do tempo com aprendizagem, 10% a mais que aqui. Atrás do Brasil, só a África do Sul e a Arábia Saudita gastam mais tempo com tarefas não relacionadas ao aprendizado.

Para Monica Gardelli Franco, diretora executiva do Centro de Referências em Educação Integral (Cenpec), isso ocorre porque os professores são obrigados a interromper a aula diversas vezes para chamar a atenção dos alunos. “Se de fato o professor tivessse 40 minutos em que ele pudesse, de verdade, se dedicar, a qualidade do trabalho dele possivelmente iria atingir os resultados esperados. O que a gente percebe é que não é um tempo linear, não é assim, eu perco um tempo no começo e um no final. É um tempo que ele vai sendo interrompido, então o professor precisa fazer muitaspausas para poder retomar o processo pedagógico”, explica.

Outro dado que chamou a atenção é que 30% dos diretores escolares brasileiros testemunharam situações de bullying entre alunos, o dobro da média da OCDE. Semanalmente, 10% das escolas pesquisadas registram episódios de intimidação contra educadores, inclusive nas ultimas semanas tivemos alguns casos de agressões.

Claro que também há pontos positivos na pesquisa, 80% dos entrevistados brasileiros afirmaram que recebem apoio dos colegas para a implementação de novas ideias no ambiente escolar.Além disso, a proporção de professores novatos que contam com a ajuda de mentores mais experientes é 11 pontos percentuais (p.p) mais alta do que a média internacional.

*Com informações do repórter Victor Moraes