Espanha pede extradição de ultradireitista responsável por atentado; Juliá está preso em SP

  • Por Jovem Pan
  • 19/12/2018 07h08
ReproduçãoA Justiça do país europeu quer que ele cumpra os mais de 10 anos de prisão que restam da sentença que recebeu em 1980

Seguindo os mesmos passos da Itália no caso Cesare Battisti, a Espanha pediu a extradição de um terrorista encontrado no Brasil.

Procurado por sua participação em um atentado, Carlos García Juliá era motorista de aplicativo em SP. A Audiência Nacional espanhola solicitou a extradição do ultradireitista considerado fugitivo internacionalmente por sua participação em um atentado cometido contra advogados comunistas em Madri em 1977. Ele foi preso no Brasil em dezembro.

A Justiça do país europeu quer que ele cumpra os mais de 10 anos de prisão que restam da sentença que recebeu em 1980 pelo assassinato de cinco pessoas em um escritório de advocacia.

García Juliá e outros três militantes de extrema direita invadiram com armas de fogo o local matando todas as pessoas. O crime ficou conhecido como o Massacre de Atocha, em referência à rua Atocha, onde aconteceu o atentado e causou comoção nacional, uma vez que os espanhóis se encontravam em plena transição para a democracia e era abalada por ataques. Os fatos pesaram na decisão de legalizar o Partido Comunista alguns meses depois.

Em 1991, García Juliá recebeu a liberdade condicional e foi autorizado a viajar para o Paraguai, onde fugiu e iniciou uma jornada pela América do Sul. Ele teria passado ainda pela Argentina, pelo Chile e Bolívia. No último país, chegou a ser preso por tráfico de drogas, mas voltou a fugir durante uma permissão penitenciária.

O terrorista foi preso novamente em 5 de dezembro no Brasil. O chefe da Polícia Federal em São Paulo, Disney Rosseti, afirmou que o espanhol vivia em solo brasileiro ao menos desde 2001. Ele entrou por Pacaraima, em Roraima, com documentos falsos venezuelanos usando o nome de Genaro Antonio Materan Flores.

Em 2009, ele fez um pedido para visto temporário, que não renovou dois anos depois, o que levantou suspeitas do órgão.

A investigação sobre seu paradeiro começou em maio. Os agentes encontraram dois endereços registrados em seu nome, um deles na Barra Funda. García morava com uma brasileira, que não foi identificada. Ele está sob a custódia da PF em uma cela em São Paulo.

*Informações do repórter Daniel Lian