Estado e Prefeitura prometem regulamentar pancadões na periferia

  • Por Jovem Pan
  • 10/12/2019 07h20 - Atualizado em 10/12/2019 08h33
HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO CONTEÚDOroibidos por lei, os bailes funk são festas em que jovens se reúnem com carros de som em diversas ruas da periferia

O governo do Estado e a Prefeitura de São Paulo prometem regulamentar os bailes funks nas periferias da cidade. Em uma ação conjunta, órgãos municipais e estaduais ouviram as demandas de moradores das comunidades de Paraisópolis e Heliópolis sobre as festas.

O foco dos governos é aumentar áreas de lazer e cultura nas regiões, além de estabelecer infraestrutura para o evento e respeito aos moradores para que os bailes aconteçam de maneira organizada.

Nesta segunda-feira (9), secretários da Prefeitura e do governo estadual se reuniram com moradores de Paraisópolis. Nenhum representante da Segurança Pública, no entanto, esteve presente.

O secretário estadual de Cultura, Sérgio Sá Leitão, disse que a regulamentação dos bailes vai desde estabelecer horário de início e término das festas até estruturar um espaço com atrações e conforto aos frequentadores.

Proibidos por lei, os bailes funk são festas em que jovens se reúnem com carros de som em diversas ruas da periferia. O Baile da DZ7, onde morreram nove pessoas durante uma ação policial há uma semana, chega a receber 30 mil frequentadores nos finais de semana

Para o secretário municipal de Cultura, Alexandre Yossef, a sociedade não pode criminalizar o funk.

“O funk é o gênero musical mais ouvido pela juventude em um ambiente que nós temos muito outros ritmos, é impressionante o protagonismo dele. Do potno de vista cultural, o nosso olhar é de valorização.”

Líder comunitário de Paraisópolis, Gilson Rodrigues acredita que as promessas de cultura e lazer do poder público vão sair do papel. “Acho que todas as decisões  podem ser tiradas do papel se houver vontade política. O que aconteceu no Paraisópolis nos últimos 10 anos foi um abandono total da comunidade.”

Em um evento nesta segunda-feira, o vice-governador de São Paulo, Rodrigo Garcia, afirmou não haver mudança de tom do Governo ao tratar do caso de Paraisópolis.

“Nós não podemos confundir uma corporação que é respeitada pela comunidade por um ou outro policial que desvia sua conduta e que será punido por isso. Os vídeos que apareceram não representam o que é a Polícia.”

Na semana passada, o governador João Doria disse que seu governo vai rever protocolos de atuação da Polícia Militar.

Ele primeiro defendeu a ação da PM que resultou nas nove mortes na comunidade da Zona Sul, mas, após se encontrar com familiares das vítimas e ver vídeos de abusos policiais, reconsiderou sua posição.

As investigações sobre o caso correm na Corregedoria da Polícia Militar, na Polícia Civil e no Ministério Público de São Paulo

*Com informações do repórter Leonardo Martins