Sem dinheiro, estudantes recorrem à Justiça por redução de mensalidades em universidade

Segundo pesquisa da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior, 82% dos estudantes dizem que a perda de renda foi o principal motivo para abandonar a faculdade

  • Por Jovem Pan
  • 13/07/2020 07h03 - Atualizado em 13/07/2020 08h18
Renato Cukier/Estadão ConteúdoPara muitos alunos, a negociação das mensalidades nem chegou a se concretizar e a única solução encontrada foi interromper os estudos

Sem dinheiro, a estudante de medicina Bruna Rubinato se vira como pode para pagar o curso. Com o avanço da pandemia da Covid-19, ela viu a renda da família despencar em pouco tempo e já chegou a pensar em trancar a matrícula. Contando outros gastos, o custo da mensalidade pode chegar a R$ 10 mil. Aluna da Universidade Anhembi Morumbi em Piracicaba, no interior de São Paulo, Bruna e outros colegas chegaram a conseguir na justiça a redução do valor pela metade, mas a decisão acabou sendo revertida.

Para muitos alunos, a negociação nem chegou a se concretizar e a única solução encontrada foi interromper os estudos. É o caso da Aline Rodrigues, que estava cursando o oitavo período do curso de veterinária, também na Universidade Anhembi Morumbi. A estudante conta que a faculdade não respondeu aos pedidos de redução do valor da mensalidade e o sentimento é de frustração.

O advogado Olavo Ferreira, que representa o grupo de alunos, diz que houve tentativas de conciliação, mas nenhuma resultou em acordo até o momento. Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior apontou que 82% dos estudantes dizem que a perda de renda foi o principal motivo para abandonar a faculdade.

O diretor-executivo da entidade, Sólon Caldas, reconhece que o momento é difícil, mas afirma que não é possível dar um desconto igual para todos. Ele também pontua que os custos para as universidades aumentaram de maneira significativa, principalmente com investimento em tecnologia para adoção de ferramentas de ensino remotas. Ele ressalta, porém, que não deve ocorrer reajuste do valor das mensalidades no segundo semestre deste ano.

*Com informações da repórter Letícia Santini