Europa não consegue se precaver 100% do terror

  • Por Ulisses Neto/Jovem Pan em Londres
  • 19/08/2017 10h41 - Atualizado em 19/08/2017 10h42
Turistas tiram foto na rua Ferrán, a 200 metros do atentado de Barcelona, dois dias após os ataques que deixaram 14 mortos e centenas de feridos

Aos poucos vai ficando claro que os ataques na Catalunha nesta semana não foram um ato tresloucado de uma pessoa comum que, influenciada pela internet, acabou deixando dezenas de mortos e feridos.

As informações divulgadas pela polícia espanhola até aqui indicam que o país foi alvo de uma ação coordenada por uma célula terrorista com pelo menos 12 pessoas envolvidas.

Cinco foram mortos pela polícia. Três estão presos. Um suspeito considerado o motorista da van usada no ataque das Ramblas segue foragido.

Na verdade, a carnificina poderia ter sido ainda maior. A polícia encontrou material explosivo em uma casa utilizada pelo grupo e acredita que o plano deles era colocar bombas em locais de grande movimento, talvez como o que aconteceu em Manchester recentemente no show da cantora Ariana Grande.

Uma pequena explosão danificou o material e os terroristas tiveram que mudar de ideia, simplicando a ação.

A Espanha conseguiu evitar ataques terroristas desde 2004 investindo em inteligência e esquemas de segurança. O país é considerado um dos mais bem equipados da Europa neste quesito. Mas a ameaça atual simplesmente é grande demais.

Praticamente todos os grandes veículos da imprensa aqui na Inglaterra tem questionado nas últimas horas o que é possível fazer para deixar as cidades do continente menos vulneráveis a essa nova onda de atentados. Todos são taxativos ao concluir que, apesar das mudanças estruturais, é praticamente impossível garantir 100% a segurança da população.

O que não impede que novas medidas sejam tomadas. Em Londres mesmo não é preciso prestar muita atenção para perceber as barreiras de metal e concreto instaladas nas pontes do rio Tâmisa para proteger os pedestres.

O centro todo na verdade tem sido remodelado com estruturas que às vezes passam despercebidas, como obras de arte, vazos de planta, ou postes, que são colocados para trazer mais segurança sem impactar tanto a paisagem.

Porque o principal desafio dos governos europeus é tentar combater o terrorismo preservando um dos pontos que mais se valorizam na vida por aqui: a liberdade de andar nas ruas tranquilamente, em qualquer lugar, a qualquer, sem se sentir ameaçado.

Ouça o comentário do correspondente Jovem Pan em Londres, Ulisses Neto: