Europa tenta salvar acordo nuclear com o Irã

  • Por Ulisses Neto/Jovem Pan em Londres
  • 09/05/2018 11h26
EFE Presidente dos Estados Unidos disse que vai sancionar aqueles que colaborarem com o Irã

A Europa tenta encontrar caminhos que levem a uma sobrevida do Acordo Nuclear do Irã. Depois de mais um ato unilateral americano, cabe agora ao resto do mundo definir que rumo a diplomacia internacional vai tomar.

O acordo assinado em 2015 ainda não está morto, mas sem dúvida respira por aparelhos. Reino Unido, França e Alemanha precisam implementar medidas econômicas que compensem as sanções impostas pelos Estados Unidos ao Irã. Se é que isso é possível.

O governo de Teerã disse ontem mesmo que está disposto a negociar com quem restou à mesa; além dos europeus, Rússia e China.

O fato é que, tirando Donald Trump e Benjamin Netanyahu, nenhum líder internacional envolvido na negociação concorda com a postura da Casa Branca.

O Acordo Nuclear do Irã realmente era imperfeito, mas era alguma coisa e estava funcionando, segundo a Agência Internacional de Energia Atômica.

Trump com uma canetada desconstruiu a relação de confiança que vinha sendo forjada com o Irã nos últimos anos e não ofereceu nada no lugar.

A dúvida agora é até onde os europeus estão preparados para ir no desafio da tentativa americana de forçar uma hegemonia diplomática ultrapassada.

Ontem o presidente dos Estados Unidos disse que vai sancionar aqueles que colaborarem com o Irã. Neste momento, todos os outros quatro membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha estão fazendo justamente isso.

A Europa foi publicamente humilhada nos últimos dias. Macron quase implorou, Merkel pediu e o britânico Boris Johnson fez apelo até no programa de TV favorito de Trump para que ele não saísse do acordo. Todos foram ignorados.

Agora ou os Estados Unidos forçam de novo sua posição hegemônica na diplomacia internacional, ou o multilateralismo vence de vez, isolando a Casa Branca e seus escassos aliados nessa, que são Israel e Arábia Saudita.