Fala de Gilmar sobre CPI da Lava Toga revolta senadores

  • Por Jovem Pan
  • 17/09/2019 06h20
Dida Sampaio/Estadão ConteúdoGilmar Mendes disse que a Comissão Parlamentar de Inquérito é inconstitucional e não produziria nenhum resultado

Senadores criticaram falas do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes sobre a CPI da Lava Toga, que teria como objetivo investigar supostas irregularidades cometidas pelos Tribunais Superiores. Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, no fim de semana, Gilmar Mendes disse que a Comissão Parlamentar de Inquérito é inconstitucional, não produziria nenhum resultado e terminaria arquivada pelo próprio STF, que mandaria trancá-la.

Para o senador Jorge Kajuru (Patriota), a CPI, cujo pedido já reuniu o número de assinaturas necessárias por três vezes, não fere a Constituição. “Inconstitucional onde? Se nós nos baseamos do Artigo 58, parágrafo 3º e temos 27 assinaturas necessárias? Não tem Davi, não tem Golias, não tem ninguém que vai retirar assinatura mais não. Essas 27 ninguém tira.”

Kajuru aguarda o julgamento de um mandado de segurança que encaminhou ao Supremo Tribunal Federal para garantir a instalação da CPI. A relatoria do pedido caiu com o próprio Gilmar Mendes.

Tanto ele como o senador Eduardo Girão (Podemos), questionaram a legitimidade do ministro em julgar o recurso e pediram para que ele se declare suspeito após as declarações feitas em público. Girão classificou os argumentos de Gilmar como uma “afronta” e uma demonstração de que o Supremo teme a CPI.

O senador Marcos Rogério (DEM), também não poupou críticas ao Poder Judiciário, que para ele vem deixando de cumprir a Constituição em determinadas situações. Porém, ele acredita que o momento não é adequado para uma CPI como a Lava Toga.

O terceiro pedido para a instalação da CPI da Lava Toga deve ser protocolado nesta terça-feira (17). O autor do requerimento, senador Alessandro Vieira (Cidadania), afirma que deve contar com 28 assinaturas, uma além do mínimo exigido. Para criar a Comissão, os senadores vão ter que convencer o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, a mudar de posição, ao contrário do que vem indicando o chefe do Legislativo.

*Com informações do repórter Levy Guimarães