Falta de insumos pela pandemia afeta mercado de cervejas artesanais

Além da escassez de produtos, empresários relatam aumento de preços e enfrentam atrasos nas entregas

  • Por Jovem Pan
  • 23/12/2020 11h51 - Atualizado em 23/12/2020 11h57
ReproduçãoEntre os itens com maior aumento está o malte, por exemplo, que subiu entre 40% e 50%

Gilberto Tarantino e mais dois amigos, Luciano Consentino e Isaac Deuth, fundaram a cervejaria independente “Tarantino”, em 2018. O negócio faz parte das 1.209 microcervejarias existentes no Brasil, segundo o Anuário de Cerveja 2019, do Ministério da Agricultura. O empresário Gilberto Tarantino relata que os negócios iam bem até a chegada da pandemia de Covid-19. “A gente vem sofrendo com a falta de insumos, por causa da pandemia, as fábricas pararam de produzir, ou não acreditavam que a retomada seria tão rápida. Então temos falta de papelão, de lata, de plástico, de tampa, de rótulos e até, às vezes, de fita para amarrar a caixa”, relata.

A crise de insumos para a produção de cerveja é mais uma consequência da pandemia. Além do aumento de preços de itens como caixas de papelão, latas, plástico e das matérias-primas, como malte e lúpulo, os empresários do setor de bebidas também enfrentam atrasos nas entregas e escassez de produtos. Segundo o presidente do Conselho da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal, Marcelo Paixão, o setor de cervejas artesanais enfrentava dificuldades, antes da pandemia, por causa do crescimento do número de cervejarias. E, neste ano, a situação se agravou. Uma caixa de papelão, que custava em torno de R$ 2, passou para R$ 6,40. O mesmo aconteceu com outro itens, além das matérias-primas, já que a maioria é vendida em dólar.

O malte, por exemplo, subiu entre 40% e 50%. Segundo o presidente da Abracerva, a soma de fatores fez a produção cair. “Quando a pandemia começou a se agravar essas fábricas diminuíram a produção. Essas indústrias, que  começaram a produzir um estoque para o último trimestre, que para o mercado cervejeiro é o mais forte, tiveram uma redução da produção e não conseguiram se estocar”, relata. Dados da Neogrid, empresa especializada na gestão da cadeia de suprimentos, que atende 40 mil lojas grandes e médias em todo país, apontam que a taxa de ausência desse produto no mercado, chegou a 18,92% em outubro, contra os 12,4% no mesmo período do ano passado.

*Com informações da repórter Caterina Achutti