‘Por mais autêntica que seja a reunião, tem que ter protocolo’, critica ex-sócio de Guedes

  • Por Jovem Pan
  • 25/05/2020 09h02 - Atualizado em 25/05/2020 09h04
Gabriela Biló/Estadão ConteúdoPaulo Bilyk criticou a atuação do ministro-chefe da Casa Civil, Walter Braga Netto, que representa os ministros

Paulo Bilyk, que é ex-sócio do ministro da Economia, Paulo Guedes, no Banco BTG Pactual, avaliou a reunião ministerial do último dia 22 de abril como caótica e sem foco.

Em entrevista ao Jornal da Manhã, o CEO da Rio Bravo Investimentos fez uma comparação entre a reunião do governo com uma reunião empresarial e reforçou que a equipe apresentou preocupações desconectadas.

“Os ministros falaram coisas desconexas com o tema central, o próprio presidente deu o tom clamando abertamente que sente falta de apoio, passou várias mensagens indiretas para Sergio Moro. Cada um querendo dizer que sofre mais, que será processado mais. Essa não é a preocupação do momento.”

Além disso, ele destacou as falas feitas contra governadores e prefeitos. “Por mais autêntica que seja uma conversa, tem que haver coordenação e protocolo. As coisas que foram ditas contra o STF são inaceitáveis para qualquer reunião formal de coisa pública. Os palavrões são só a cereja do bolo. Gostaria muito de acreditar que isso fosse positivo, mas para mim foi caótico.”

“Você tem uma equipe que começa discutindo um assunto que nem sequer teve consenso, que é a recuperação econômica pós-pandemia. Mas a reunião segue por vários outros caminhos que sugerem perda de foco e preocupações laterais. A reunião passa uma impressão preocupante”, avaliou.

Paulo Bilyk criticou a atuação do ministro-chefe da Casa Civil, Walter Braga Netto, que representa os ministros. “Braga Netto performou muito aquém do esperado. Já tivemos muito mais competência nesse cargo em momentos críticos do Brasil.”

Apesar de não ter mais contato direto com Paulo Guedes, Bilyk demonstrou total respeito “pela competência intelectual” do atual ministro. De acordo com ele, o conteúdo da fala de Guedes “casa muito mais com o bom senso e a prudência fiscal que toda gestão macro demanda”.