FHC, Collor e Temer condenam postura de Bolsonaro, mas descartam impeachment

  • Por Jovem Pan
  • 05/05/2020 06h38
FELIPE RAU/ESTADÃO CONTEÚDOFHC, Collor e Temer enfatizaram que o remédio do momento no combate ao coronavírus é o isolamento

Ex-presidentes da República criticam postura de Jair Bolsonaro e citam crise institucional, mas se mostram contrários a um novo processo de impeachment no país. Fernando Collor de Mello, Fernando Henrique Cardoso e Michel Temer participaram de uma videoconferência do Conjur.

Eles debateram os rumos do Brasil dentro de uma pandemia sem precedentes. Todos são críticos à forma como o atual líder da nação conduz as situações.

De acordo com eles, o chefe de Executivo nacional foge à liturgia do cargo expondo falta de serenidade num momento de grave crise.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso alerta para o fato de Bolsonaro estar se isolando e carregar palavras de desassossego só promovendo dissonâncias. Segundo FHC, o caminho é parar com as confusões.

O senador por Alagoas e ex-presidente Fernando Collor avaliou que as declarações de Jair Bolsonaro, durante um ato considerado antidemocrático e que foi notabilizado por agressões a jornalistas, são extremamente perturbadoras.

Collor teve a mesma visão de Fernando Henrique no que se refere a nomeação de Alexandre Ramagem à Polícia Federal barrada pelo STF. Os dois entenderam como um erro.

Já o ex-presidente Michel Temer disse que tentou aconselhar Jair Bolsonaro e acrescentou que não deveria participar de atos que depõem contra a democracia.

Política externa

Sobre a política externa do governo federal, os três demonstraram preocupação com ataques à China e contra a Argentina. A exaltação aos Estados Unidos também foi focalizada. Para eles é preciso olhar para todos e que haja multilateralismo.

FHC, Collor e Temer enfatizaram que o remédio do momento no combate ao coronavírus é o isolamento e que o presidente da República tem que dar exemplo, usar máscara e respeitar as recomendações da Organização Mundial da Saúde e do próprio Ministério da Saúde.

O trio apontou que é fundamental a harmonia entre os poderes e que as forças armadas respeitam a constituição e tem um papel muito importante.

Os líderes unanimemente são contrários a um novo processo de impeachment, afirmando que levaria a um desgaste expressivo ao país. Eles acentuaram que neste instante o que o Brasil menos precisa é de uma turbulência política — em um momento já dramático de crise sanitária.

*Com informações do repórter Daniel Lian