FHC: Tenho duvidas se vamos sair dessa crise com alguma vantagem

  • Por Jovem Pan
  • 09/04/2020 10h56
Valter Campanato/Agência BrasilO ex-presidente citou que um restaurante que frequenta, no bairro do Higienópolis, em São Paulo, vai fechar as portas após a crise da covid-19

Fernando Henrique Cardoso lembrou da crise do apagão, enfrentada pelo governo dele em 2001, para citar o novo coronavírus. Em entrevista ao Jornal da Manhã, o ex-presidente disse que, na época, pediu apoio da população, de partidos e de sindicatos.

“Eu pegava o telefone e ligava para o FMI, para o Bill Clinton. Hoje é diferente. Tenho dúvidas sobre nossa capacidade de sair dessa crise com alguma vantagem e não é por razão ideológica, mas objetiva. Precisamos redefinir nossa convivência internacional.”

O ex-presidente citou que um restaurante que frequenta, no bairro do Higienópolis, em São Paulo, vai fechar as portas após a crise da covid-19. “Eu pensei nas pessoas que vão perder seus empregos. Isso vai acontecer! É preciso pensar em Plano Marshall, em reconstrução. Reconstruir o que o vírus está devastando.”

FHC disse que “empresas e pessoas vão sofrer” e que a nação tem que ter consciência disso. “Da para se antecipar e começar a reparar para que o futuro não seja tão trágico. Não sei por conta da minha idade, mas espero ver o recomeço de uma retomada forte no mundo.”

SUS

O ex-presidente FHC defendeu o Sistema Único de Saúde e revelou, inclusive, que frequenta o Hospital do Rim, da Unifesp, em São Paulo. “Nos governos do PT houve uma falta de recurso, mas hoje, bem ou mal, existe um sistema gratuito.”

“Eu vou no Hospital do Rim, talvez me tratem melhor por consideração. Mas uso o mesmo leito, o mesmo lençol que os outros. Há muitas críticas, mas no Estados Unidos ou você tem privado ou não tem nada, está perdido. Não é tão ruim, aqui funciona e avança.”

De acordo com ele o Brasil avançou mais em saúde do que em educação nos últimos anos. “A crise atual demonstrou que houve falhas, mas sempre há falhas. E não devemos atribuir isso a um só governo. Acredito que uma junção do público e do privado é interessante.”

Ele citou a construção do hospital de campanha criado no Pacaembu. “Foi construído com uma rapidez quase chinesa e isso mostra eficiência do governo. Essa é uma crítica geral que faço: existe esforço, mas falta coordenação.”