Fronteira entre Irlanda e Irlanda do Norte vira entrave na negociação do Brexit

  • Por Ulisses Neto/Jovem Pan
  • 19/09/2018 09h49
PixabayLembrando, só para não confundir, que a Irlanda é uma república independente e a Irlanda do Norte faz parte do Reino Unido

Faltam apenas seis meses para o Brexit e as negociações parecem andar num estilo bem brasileiro: estão deixando tudo para a última hora.

Não há definição sobre nada em relação a vida na Europa depois que o Reino Unido se tornar o primeiro país a se desfiliar do bloco.

Hoje o ponto de maior entrave é a fronteira entre Irlanda e Irlanda do Norte, que depois do divórcio vai se tornar uma divisão física de fato entre britânicos e europeus.

Lembrando, só para não confundir, que a Irlanda é uma república independente e a Irlanda do Norte faz parte do Reino Unido. Hoje a fronteira entre estes dois países, que viveram décadas de um conflito sangrento, é completamente aberta. Mas isso terá que mudar.

A violência entre católicos e protestantes na região foi reduzida drasticamente depois do acordo da sexta-feira santa em 1998.

Mas os dois lados concordam que estabelecer barreiras físicas na fronteira, para o controle de passagem de mercadorias e pessoas, depois do Brexit, pode colocar o processo de paz em risco.

Acontece que deixar os 500 quilômetros de divisa entre os dois países também é um problema para o pós-Brexit, já que os britânicos vão deixar a união fiscal e aduaneira, além de acabar com o livre trânsito de pessoas.

A Europa propõe que a Irlanda do Norte mantenha as regras do bloco, mesmo depois da separação, o que Londres considera inaceitável porque traria uma certa forma de divisão para o reino.
A primeira-ministra Theresa May vai jantar nesta quarta-feira (19) em Salzburgo, na Áustria, com seus colegas do bloco e os jornais indicam que a União Europeia promete aliviar em suas exigências para resolver o impasse.

Até porque se faltam seis meses para o divórcio, o prazo para um acordo é ainda menor, cerca de dois meses, ou menos, já que qualquer negociação precisa ser aprovada em votação pelos 27 integrantes da União Europeia.