Fundador do ‘Carretas da Saúde’, médico assassinado em SP pode ter sido confundido com policial

  • Por Jovem Pan
  • 13/11/2018 07h21
Reprodução/TV GloboKikawa foi vítima de latrocínio na noite de sábado (10), quando foi baleado dentro de seu carro, na Rua Manifesto, bairro do Ipiranga, Zona Sul de São Paulo

Foi enterrado nesta segunda-feira (12), no cemitério da Consolação, em São Paulo, o corpo do médico gastroenterologista Roberto Kikawa, fundador do projeto Carretas da Saúde, que há anos leva consultas e exames a pessoas carentes.

Kikawa foi vítima de latrocínio na noite de sábado (10), quando foi baleado dentro de seu carro, na Rua Manifesto, bairro do Ipiranga, Zona Sul de São Paulo. A polícia trabalha com a situação do latrocínio, mas também há a hipóteses de o médico ter sido confundido com um policial. Isso é o que testemunhas disseram à polícia.

A secretária do médico, que estava no veículo com a filha de 17 anos, disse às autoridades que um dos bandidos perguntou se Kikawa era policial. O delegado titular do 17º Distrito Policial, Wilson Zampieri, confirma a declaração das testemunhas. Essa hipótese é levantada pelo fato de Kikawa ter um veículo parecido – de mesmo porte e cor – ao de um policial do Deic, que na mesma região, há duas semanas, interveio em um assalto que ocorria e trocou tiros com criminosos.

Naquela ocasião, após o confronto, um dos bandidos foi preso e o outro morreu. O delegado Wilson Zampieri disse que novas imagens de câmeras de segurança já foram coletadas para ajudar na identificação da dupla.

Os suspeitos já foram flagrados em outro assalto na mesma região, quando atacaram dois homens que conversavam na calçada. O biotipo nas imagens é coincidente, além dos bonés usados pelos criminosos.

A mulher do médico e os dois filhos adolescentes vieram às pressas dos Estados Unidos e acompanharam o velório e enterro. Roberto Kikawa tinha 48 anos e, em dez anos de atuação do programa Carretas da Saúde, ajudou a realizar mais de 2 milhões de consultas, exames e cirurgias em todo o Brasil.

Somente em São Paulo são 32 locais de atendimento, sendo mais da metade dos exames de ultrassom da cidade realizados nessas carretas.

Nesta segunda-feira, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) lançou nota de pesar pela morte de Kikawa. O texto lembra sua trajetória profissional, dizendo que “o médico paulistano deixará uma imensa lacuna na Medicina do País e do mundo”.

Em 2010, Roberto Kikawa recebeu o prêmio Empreendedor Social e também foi agraciado com premiação no Fórum Econômico Mundial pela inovação na área de saúde.

*Informações do repórter Fernando Martins