Gilmar Mendes reage a vazamentos e chama Lava Jato de ‘organização criminosa’

  • Por Jovem Pan
  • 07/08/2019 06h19
EFEMembros do MP teriam tentado garantir que Mendes não estivesse em investigações e queriam seu impeachment

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), reagiu à informação de que a força-tarefa da Lava Jato teria buscado provas contra ele na Suíça. Segundo uma reportagem com supostas mensagens de celulares de membros do Ministério Público (MP), publicada pelo jornal El País nesta terça-feira (6), os procuradores de Curitiba discutiram usar o caso de Paulo Preto, conhecido como operador de propina do PSDB, para reunir munição contra o ministro.

A ideia, segundo apontam os supostos diálogos, era ter argumentos para impedir que Mendes julgasse determinados casos ou até mesmo para garantir o impeachment dele.

Na avaliação do ministro, tudo indica que havia, na força-tarefa da operação Lava Jato em Curitiba, o que definiu como uma “organização criminosa para investigar”. Ele questionou a influência dos procuradores no conteúdo das delações e diz acreditar que essa é a maior crise que já se produziu no aparato judicial do Brasil desde a redemocratização do país.

“O que mostra isso? Mostra o uso da força tarefa para fins, para interesses pessoais. Tudo indica, eu acho, na medida em que os fatos vão sendo revelados, que nós tínhamos uma organização criminosa para investigar, e certamente ainda vamos ter surpresas muito mais desagradáveis. Temos que reconhecer que as organizações tabajara estavam, também, comandando esse grupo”, declarou.

De acordo com a reportagem publicada nesta terça-feira, procuradores e assistentes se mobilizaram para apurar decisões e acórdãos do ministro para, eventualmente, embasar uma ofensiva contra ele. Eles teriam sido coordenados pelo coordenador da operação, Deltan Dallagnol, e planejaram, inclusive, acionar investigadores na Suíça para tentar reunir munição contra o ministro.

A questão é que um ministro do Supremo só pode ser investigado pela Procuradoria Geral da República e após autorização do plenário da corte, o que não ocorreu.

*Com informações do repórter Antonio Maldonado