Governo admite que não há “espaço fiscal” para mais investimentos na área de segurança pública

  • Por Jovem Pan
  • 31/07/2018 07h08
Valter Campanato/Agência BrasilO secretário de Assuntos Estratégicos, Hussein Ali Kalout, disse que o futuro é de pouco otimismo, mesmo para Estados que ainda consigam colocar algum recurso

Após aumentar gastos na área de segurança pública nos últimos anos, o Governo agora diz que não há mais “espaço fiscal” para expandir investimentos e pede mais inteligência.

De acordo com a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, o Brasil aumentou em 180% os aportes no combate ao crime de 1995 a 2015. Apesar disso, o país fracassou em combater os homicídios, que saltaram de 35 mil para 54 mil por ano no mesmo período.

O secretário de Assuntos Estratégicos, Hussein Ali Kalout, disse que o futuro é de pouco otimismo, mesmo para Estados que ainda consigam colocar algum recurso: “não há mais espaço fiscal. Isso significa que nos próximos anos teremos que lidar com realidade de menos dinheiro, mas temos que melhorar o emprego destes recursos. E apenas três Estados hoje têm capacidade de ampliar sua capacidade de endividamento sem o retorno esperado”.

O secretário deu as declarações nesta segunda-feira (30) durante um evento promovido pela Academia Brasileira de Ciências Forenses, na capital paulista.

Presente na mesma ocasião, o ministro do STF Alexandre de Moraes, que já comandou a Segurança Pública em São Paulo, considera que poderia se gastar muito menos se esse investimento fosse feito corretamente: “nós gastamos mal em relação à violência. Poderíamos gastar até um décimo menos que isso se fosse bem aplicado no combate à criminalidade”.

O estudo da Secretaria de Assuntos Estratégicos aponta ainda que os homicídios fizeram o Brasil perder R$ 450 bilhões em 20 anos só com a redução da força de trabalho. O levantamento traz ainda que apesar de representar aproximadamente três da população mundial, o Brasil concentra cerca de 14% dos homicídios no mundo.

*Informações do repórter Tiago Muniz