Governo britânico abre os cofres para se preparar para o Brexit

  • Por Ulisses Neto/Jovem Pan
  • 01/08/2019 08h51
EFEO governo de Londres liberou mais 2,1 bilhões de libras para esses preparativos - o equivalente a cerca de 10 bilhões de reais

Faltando apenas três meses para o Brexit, o governo britânico abriu os cofres para os preparativos necessários nas fronteiras do país.

Claro, a Grã Bretanha é uma ilha, mas muita coisa vai mudar nos aeroportos e na entrada do Eurotúnel, que liga o país ao continente. Principalmente se o divórcio for mesmo litigioso, sem acordo, o que a cada dia fica mais claro que será o caso.

O governo de Londres liberou nesta quarta-feira (1) mais 2,1 bilhões de libras para esses preparativos – o equivalente a cerca de 10 bilhões de reais. Isso, além dos outros cerca de 20 bilhões de reais que o país já reservou para os preparativos do Brexit desde 2016.

Basicamente o dinheiro está sendo utilizado para contratar mais agentes de imigração, reforçar o pessoal de controle aduaneiro e preparar as rodovias que servem o Eurotúnel para os inevitáveis congestionamentos que serão causados pela nova burocracia.

Até recentemente, cargas de pessoas comunitárias podiam circular por aqui sem grandes embaraços. Mas, com a separação sem acordo, o Reino Unido passará a ser tratado pela União Europeia da mesma forma que o Brasil ou os Estados Unidos, por exemplo. Apenas mais um membro da Organização Mundial do Comércio.

E isso implica em fiscalização rigorosa, pagamento de tributos, documentação detalhada de importação e por aí vai. A oposição por aqui diz que os bilhões e bilhões de libras sendo despejadas nos preparativos são um desperdício assustador do dinheiro dos contribuintes.

Para o governo, no entanto, trata-se de um desconforto momentâneo que será compensado pelos eventuais benefícios de deixar a União Europeia.

O problema é que o Reino Unido pode investir o quanto quiser nos preparativos do Brexit. Fazer com que o dia seguinte depois da desfiliação seja menos dramático nas fronteiras não depende apenas dele, sobretudo no Eurotúnel.

Os caminhões de carga podem até passar por uma alfândega super anabolizada do lado de cá, mas ao chegar do lado francês nada indica que haverá um batalhão de fiscais recém contratados.