Governo do RJ proíbe operações policiais em comunidades durante ações sociais

  • Por Jovem Pan
  • 25/05/2020 06h50 - Atualizado em 25/05/2020 08h01
JOSE LUCENA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDOA decisão se deu por conta de duas ações trágicas da Polícia que aconteceram na semana passada e tiveram uma enorme repercussão

A Policia do Rio de Janeiro não vai mais realizar, ou vai pelo menos evitar, operações em favelas e áreas carentes do Estado em dias ou momentos de ações sociais. O acordo foi firmado pelo governador Wilson Witzel com representantes de entidades e órgãos que defendem os direitos humanos.

A decisão se deu por conta de duas ações trágicas da Polícia que aconteceram na semana passada e tiveram uma enorme repercussão local, nacional e até internacional.

Na semana passada, o jovem Rodrigo Cerqueira, de 19 anos, foi atingido por um disparo policial quando participava de uma ação social de doação de cestas básicas no Morro da Providencia na região central da capital fluminense.

Os tiros foram disparados por policiais da UPP e, infelizmente, Rodrigo não resistiu. A a morte dele gerou muita indignação e revolta.

O outro caso, talvez um dos mais emblemáticos dos últimos tempos, envolveu a morte por policiais de um adolescente de 14 anos, João Pedro, do Complexo do Salgueiro em São Gonçalo.

No começo da semana passada policiais civis e federais faziam uma operação nesse conjunto de favelas na Região Metropolitana em busca de bandidos e criminosos, mas a vítima acabou sendo o jovem — inocente e sem qualquer passagem ou histórico pela policia.

João Pedro estava com amigos, dentro de casa, quando policias civis começaram a disparar. Foram 70 tiros de fuzil e metralhadora contra a casa do rapaz.

Ele foi ferido e socorrido de helicóptero, mas a família ficou quase 24h sem notícias. Eles só tiveram informações atualizadas quando foram procurados para declaração do óbito.

Os tiros contra a casa foram disparados por policiais civis. As armas já foram recolhidas, os agentes estão sendo investigados e já foram ouvidos. A Policia Federal, que deu suporte à ação, abriu inquérito para investigar o caso.

*Com informações do repórter Rodrigo Viga