Governo garante que falta de dinheiro não é problema para crise de saneamento

  • Por Jovem Pan
  • 24/07/2018 06h46 - Atualizado em 24/07/2018 07h39
Valter Campanato/ABrBrasil ainda joga 55% do esgoto que coleta na natureza

Com menos da metade do esgoto tratado no País, o governo entende que há dinheiro disponível para investimentos, mas que ele não é usado por falta de planejamento. De acordo com o secretário nacional de saneamento ambiental, Adailton Ferreira Trindade, o Brasil dispõe neste ano de aproximadamente R$ 6 bilhões do fundo do FGTS para a área.

Até agora, desse total, foram contratados aproximadamente R$ 200 milhões; no ano passado, de R$ 6 bilhões disponibilizados, R$ 4 bilhões foram contratados. O secretário considera que estados e municípios em muitos casos não se estruturam adequadamente para usar o recurso.

“Realmente é preciso romper o modelo de só botar recurso para obras, sem se preocupar com a questão institucional dos entes. Ele tem capacidade para desenvolver o projeto, não tem projeto? Vamos ajudá-lo a desenvolver um projeto? Porque isso vira desperdício do recurso público”, explicou.

O ex-presidente da Sabesp e professor da Fundação Getúlio, Vargas Gesner Oliveira, concorda que existe falta de planejamento para a realização do investimento. Apesar disso, ele considera que falta também qualidade por parte dos gestores e que é preciso melhorar a regulação do setor.

“Há muito pouca eficiência e técnica profissional de gestão nas entidades públicas responsáveis pelo saneamento. Infelizmente, grande parte das regiões ainda não é regulada. Aquelas que o são não são reguladas da melhor maneira possível”, criticou Oliveira.

O último levantamento do Instituto Trata Brasil mostra que o País ainda joga 55% do esgoto que coleta de volta na natureza. O governo se comprometeu com a Organização das Nações Unidas a universalizar todos os serviços de saneamento até 2030.

*Com informações do repórter Tiago Muniz