Governo negocia sua sobrevida a todo e qualquer preço, diz relator da reforma trabalhista

  • Por Jovem Pan
  • 11/07/2017 09h34
Brasília - O senador Ricardo Ferraço durante reunião da Comissão de Assuntos Sociais do Senado para discutir a proposta de reforma trabalhista (PLC 38/2017). Senadores decidiram adiar a leitura do relatório do senador Ricardo Ferraço para a próxima semana.(Marcelo Camargo/Agência Brasil)Ferraço diz que seria um tiro no pé modificar o ponto sobre contribuição sindical, já aprovado em comissões no Senado

O Senado deve concluir nesta terça-feira (11) a votação da reforma trabalhista. Para que o texto seja aprovado, são necessários ao menos 41 votos dos 81 senadores. As discussões da matéria já foram encerradas na semana passada e a sessão de hoje parte para o voto dos parlamentares. Os líderes de partidos e de blocos partidários poderão apenas orientar suas bancadas para aprovar ou rejeitar o projeto.

Em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã, o relator da matéria, Ricardo Ferraço (PSDB-ES), assumiu que ocorrerá obstrução por parte dos contrários à reforma. O senador garantiu que o texto a ser votado “mantém e consagra todos os direitos conquistados e abre oportunidades para incluir um conjunto de brasileiros que não fazem parte do mercado”.

A expectativa, no entanto, é que ao longo desta terça-feira ainda o assunto esteja esgotado.

Questionado sobre a negociação do presidente Michel Temer com centrais sindicais a despeito da contribuição sindical obrigatória, que no texto da reforma passaria a ser opcional, Ferraço diz que seria um tiro no pé modificar o ponto já aprovado em comissões no Senado.

“No relatório, a contribuição deixa de ser obrigatória, ou seja, as pessoas precisam decidir aquilo que desejam. Se o Governo insistir nessa tese, será um retrocesso absurdo. O Governo vive denúncias muito graves, complexas, devastadoras e está negociando sua sobrevida a todo e qualquer preço (…) Se o Governo fizer isso, será um tiro no pé”, declarou o senador tucano.

PSDB e sua permanência no Governo

O senador falou ainda sobre a permanência do PSDB no Governo Temer e a reunião realizada nesta segunda-feira (10) com a cúpula do partido no Palácio dos Bandeirantes, residência oficial do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

“Eu tinha por expectativa que essa reunião pudesse concluir o que nos parece óbvio. PSDB tem que entregar seus cargos e não precisa de cargos para defender aquilo que acredita. Essa reunião produziu prejuízos ao partido. Estamos empurrando com a barriga uma decisão que parece óbvia”, afirmou.

Confira a entrevista completa: