Grécia encerra programa de resgate financeiro nesta segunda (20)

  • Por Ulisses Neto/Jovem Pan
  • 20/08/2018 09h44
ReproduçãoA Grécia deixa o programa de socorro europeu com um PIB que é 25% menor do que era 10 anos atrás

Esta segunda-feira (20) marca uma data muito relevante na história da zona do euro e, principalmente, da Grécia. O país finalmente encerra com sucesso o programa de resgate financeiro imposto pelo bloco econômico.

Depois de chegar ao fundo do poço em uma crise sem precedentes, os gregos passaram por um processo traumático de recuperação, que incluiu um plano de austeridade cruel em termos sociais, a eleição de um partido de extrema esquerda que claramente foi dobrado pelo establishment, e o risco iminente de ser excluído da União Europeia – ficando inclusive sem moeda.

No fim das contas, Atenas teve que rezar pela cartilha imposta por Alemanha e companhia – que também assistiram apreensivos a possibilidade de ver a moeda única naufragar com diversas economias menores do bloco apresentando problemas graves nos últimos anos.

Não dá pra dizer que o pesadelo acabou para a Grécia – o país está longe de apresentar uma recuperação significativa como Portugal, outro país do que um dia se chamou grosseiramente de PIGS, mas que hoje apresenta ânimo revigorado não apenas na economia, mas até no aspecto moral da sociedade.

A Grécia deixa o programa de socorro europeu – que despejou no total 260 bilhões de euros no país e, principalmente, seus credores – com um PIB que é 25% menor do que era 10 anos atrás.

A taxa de desemprego, que bateu na casa dos 28% no ápice da crise, hoje está em 19 e meio por cento. Mas até essa recuperação é questionável, assim como acontece no Brasil, se olharmos pra que tipo de vaga de trabalho e qual remuneração estão sendo oferecidos.

O fato é que agora a Grécia pode voltar ao mercado para financiar suas dívidas e necessidades sem precisar pedir a benção da Alemanha. O que na prática não deve mudar muita coisa em relação a austeridade que o país ainda terá que enfrentar.

Mas pelo menos burocraticamente um dos capítulos mais difíceis da economia europeia está encerrado. Com lições amargas para o povo grego.