Greve dos caminhoneiros afeta mercados, farmácias, campo e postos

  • Por Jovem Pan
  • 24/05/2018 09h28
NELSON ANTOINE/ESTADÃO CONTEÚDOMotoristas enfrentam fila em posto de gasolina na Avenida Nove de Julho, no centro de São Paulo, na manhã desta quinta-feira, 24

A greve de caminhoneiros prejudica o abastecimento de alimentos, combustíveis e remédios em todo o Brasil. A paralisação iniciada na segunda-feira contra o alto preço do óleo diesel já atinge 22 estados e o Distrito Federal.

Supermercados, postos e farmácias já sofrem com a escassez e possibilidade de falta dos produtos nas principais cidades do país.

O presidente da Associação Comercial dos Produtores e usuários da Ceasa do Rio de Janeiro, Waldir de Lemos, destaca o caos no estabelecimento. “Nesta quarta já faltou quase todos os legumes. Anteontem (segunda) a batata era R$ 60 o saco. Ontem e hoje (quarta) estava em R$ 350 a R$ 400 e o comerciante só vendia apenas um saco para cada pessoa para poder atender o máximo. A única coisa que ainda temos em estoque são frutas”, relatou.

Waldir de Lemos alerta para a possibilidade do centro de distribuição no Rio de Janeiro fechar devido à falta de alimentos.

O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Paraná, Márcio Bonesi, aponta prejuízos na agropecuária do Estado. “Estamos sendo penalizados porque não estamos conseguindo receber os adubos, e estamos chegando à nova safra. Os produtores de leite não estão conseguindo tirar os leites de suas propriedades. Não está chegando ração aos produtores de aves, que também não conseguem retirar seus produtos do campo para as indústrias”, disse Bonesi.

Márcio Bonesi afirma que a culpa pela falta de abastecimento é do alto preço da gasolina e do diesel.

Presidente-executivo da Abrafarma, Sérgio Barreto, aponta os problemas causados no setor de medicamentos. “Infelizmente nos últimos dias muitos caminhões que entregam medicamentos têm sido impactados pelo movimento. Nesses medicamentos há produtos que precisam de refrigeração constante e não têm conseguido chegar até as farmácias”, explicou Barreto.

Sérgio Barreto pede um tratamento diferente dos grevistas com relação aos medicamentos.

Presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo, José Gouveia ressalta a falta de combustíveis nos postos. “Nesta quarta (23) praticamente ninguém recebeu produto porque os caminhões não conseguem sair das bases de abastecimento. A nossa preocupação é que se esse movimento demorar mais que um ou dois dias, provavelmente vamos ter alguns postos desabastecidos em São Paulo também”, avaliou.

O vice-presidente de mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal, Ricardo Santin, cobra ações rápidas do Governo Federal. Santin pede a compreensão dos caminhoneiros para que os produtos cheguem à população.

Devido à escassez de combustível, diversas cidades podem ficar sem ônibus e aviões nesta quinta-feira.

Até quarta-feira, a Justiça concedeu decisões provisórias contra os protestos de caminhoneiros em pelo menos sete Estados.

Ainda não há previsão para a categoria encerrar as manifestações nas rodovias de todo o País.

Confira a reportagem de Matheus Meirelles para o Jornal da Manhã: