Há 40 anos, juristas do Largo São Francisco promoviam atos de luta contra a ditadura

  • Por Jovem Pan
  • 08/08/2017 08h21 - Atualizado em 08/08/2017 10h59
Divulgação/GOVSP Exatos 40 anos depois, os juristas que participaram da elaboração da carta vão se reunir novamente no Largo São Francisco

Em 8 de agosto de 1977, professores e alunos da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo se reuniam no Largo São Francisco.

Lá, o jurista Goffredo da Silva Telles Jr. fazia a leitura da Carta aos Brasileiros, considerada uma das manifestações de luta contra o regime militar.

Entre os signatários do texto estavam nomes como Miguel Reale Jr e Hélio Bicudo, dois dos três autores do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Também assinaram Fábio Konder Comparato, Antônio Cândido e o bispo de Bauru, Dom Cândido Padin.

Mas o ato não ficou restrito à comunidade jurídica, reunindo intelectuais e jornalistas, que saíram depois em marcha pelo centro de São Paulo.

“A Carta aos Brasileiros foi uma manifestação da nacionalidade, do pensamento difuso da nação. O professor Goffredo soube captar a essência do pensamento da nação naquele momento”, disse Flávio Flores da Cunha Bierrenbach, que é presidente de honra da Associação dos Antigos Alunos da Faculdade de Direito da USP.

Ele recorda que a iniciativa de Goffredo da Silva Telles Jr. partiu de uma data comemorativa: “no contexto dos 150 anos da fundação da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, um pequeno grupo de antigos alunos decidiu fazer uma cerimônia que significasse ao mesmo tempo uma celebração do passado de luta pela liberdade e esperança de luta pela liberdade no futuro”.

Exatos 40 anos depois, os juristas que participaram da elaboração da carta vão se reunir novamente no Largo São Francisco.

E além de reler o texto, personalidades do direito brasileiro prometem repetir nesta terça-feira, às onze da manhã, as mesmas reflexões de 1977: enaltecer o passado de lutas e fazer uma análise sobre o momento atual e o futuro do Brasil.

*Informações do repórter Victor LaRegina