Igreja que saudou ‘grito’ de D. Pedro I vira alento para parentes de vítimas da Covid-19

Reza a lenda que ao passar a tropa, após a programação da independência, os sinos da torre repicaram anunciando a boa nova; o local ficou conhecido como igreja das boas notícias

  • Por Jovem Pan
  • 07/09/2020 09h47 - Atualizado em 07/09/2020 09h50
Everaldo Silva/Estadão ConteúdoCovid-19: Homem reza de máscara em igreja

Meio escondida na selva urbana, a igrejinha passa despercebida. Bicentenária, conserva as marcas do tempo, mas guarda a memória de ter presenciado um marco na historia do Brasil. Construída no século XIX com tijolos de terra batida no estilo barroco, a Igreja de Nossa Senhora da Boa Morte ficava no caminho dos condenados à forca em uma São Paulo ainda nascente. Do alto da torre, era possível ver a estrada do Ipiranga. Reza a lenda que ao passar a tropa de D. Pedro I, após a programação da independência, os sinos da torre repicaram anunciando a boa nova. A missionária Paula Radighieri conta que o vigia avistou a comitiva antes de todos. “Quando D. Pedro I chega os sinos começam a repicar aqui na igreja e depois dá o sinal para as outras igrejas do centro histórico”, explica. De acordo com o professor de historia da arte, Percival Tirapele, a partir disso a igreja ficou conhecida como a igreja das boas notícias.

“Dizem até que quando se chegam navios da Europa em Santos, diz que também ela repicava os seus sinos para que a população soubesse que tinham chegados novos artigos ou que estavam esperando algum parente, familiar, encomenda ou alguma coisa assim”, afirma. Com o crescimento da cidade, os sinos da torre perderam esta função, mas outras benfeitorias atravessaram o tempo. A igreja fica aberta 24 horas e durante os meses de isolamento social foi uma das poucas que mantiveram as portas abertas, como conta a missionária Paula Radighieri. “Foi muito interessante porque várias famílias enlutadas puderam ter o seu consolo espiritual nos bancos da igreja, deixando duas intenções de oração e podendo fazer suas orações a Deus. Chegavam a se emocionar quando chegavam e realmente os olhos lacrimejavam”, conta.

*Com informações da repórter Livia Fernanda